Ricardo Marques

O prefeito e o cabo eleitoral

Publicado: 10/07/2017 08:57 - Atualizado em 10/07/2017 00:00 - 0 comentário


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A conversa entre o prefeito Fábio Gentil e um cabo eleitoral que trabalhou para ele na última campanha, vazada e viralizada nas redes socais, deixou estupefato meio mundo de gente. O interlocutor do mandatário municipal, em tom de desabafo, faz cobranças, revela supostas irregularidades que estariam ocorrendo na prefeitura e, por fim, dá lição de moral no prefeito.

Poucas vezes se viu a figura de um prefeito – sobretudo de uma cidade do porte e importância de Caxias - exposta daquele jeito. E olha que Fábio Gentil não é nenhum neófito na seara política - só de mandato de vereador o cara tem cinco no currículo - sem falar que nasceu em berço político - o pai, Zé Gentil, ingressou na política ainda na década de 70. Então, nada justifica essa pisada de bola de principiante.

A não ser que o tal cabo eleitoral seja pessoa próxima do prefeito. O que parece ser. Segundo informou uma fonte com acesso ao núcleo duro dos Gentil, o homem estaria cabalando votos para Fábio há quase 20 anos. Sendo assim, explica-se porque o “cabeludo” abriu a retaguarda e permitiu, inclusive, que seu interlocutor lhe fizesse cobranças de forma direta, sem subterfúgio, e ainda lhe passasse uma lição de moral, situação incomum para quem está no topo da cadeia de poder do município.

O fato chama atenção e revela que alguns políticos precisam impor limites nessa relação com seus cabos eleitorais, do contrário essas pessoas que os ajudam a se eleger poderão achar-se no direito de cobrar o que bem lhes vier à cabeça. Mesmo se levado em conta que o que mais confunde a cabeça de um cabo eleitoral - ou a de um eleitor - são as promessas. E - sem querer ofender -, mas o Fábio é o rei da promessa.


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