O absurdo que nos revela
POR RICARDO MARQUES
Nestes dias de recesso, aproveitei para reler O Estrangeiro, de Albert Camus. E a sensação permanece a mesma: não é um livro para confortar, é um livro para desinstalar.
Camus nos apresenta Meursault, um homem que se recusa a fingir sentidos onde talvez eles não existam. Ele não dramatiza a morte, não sacraliza a rotina, não inventa explicações para o mundo. E é exatamente por isso que se torna um problema.
A sociedade não o julga apenas pelo crime que...
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Quando o prefeito falta
POR RICARDO MARQUES
Uma canetada da Justiça do Trabalho pôs fim à greve dos ônibus de São Luís. Pôs fim, vírgula. Parte dos rodoviários não compareceu às empresas para trabalhar, e os ônibus urbanos não saíram às ruas, dando sequência a mais um dia de paralisação. Uma paralisação que é mais um espetáculo de ilusionismo. O ludovicense parece já acostumado ao velho enredo: o prefeito some, o problema fica.
Nesse tipo de situação, Eduardo Braide pratica sempre a...
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O prefeito é TikTok, mas a greve é real
POR RICARDO MARQUES
Na greve dos ônibus de São Luís, o prefeito Eduardo Braide reaparece no papel em que se especializou: o de espectador indignado. Nada é com ele. Nada é culpa dele. O inferno, diria Jean-Paul Sartre, são sempre os outros.
Braide aponta o dedo para empresários, para o governo do Estado, para a Câmara de Vereadores, para o vento, para o acaso — menos para o espelho. Governa como quem grava vídeo: muita pose, pouca responsabilidade. É o prefeito TikTok,...
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Passe livre, greve e omissão
POR RICARDO MARQUES
Passou 2025 — já estamos em fevereiro de 2026. O passe livre estudantil em São Luís foi aprovado em 2024. Plebiscito para passe livre era só firula. Passe livre não depende de consulta popular — depende de vontade política. E essa, o prefeito Eduardo Braide nunca demonstrou.
Quase 90% dos ludovicenses disseram “sim” ao passe livre. Bonito. Simbólico. E absolutamente inútil. A promessa segue mofando numa gaveta, enquanto o prefeito finge que não ouviu...
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Deuses do Olimpo em queda livre
POR RICARDO MARQUES
Há algo de profundamente errado quando ex-ministros e ministros do Supremo começam a orbitar bancos sob investigação como se fosse coisa normal, como se toga fosse salvo-conduto moral. Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Banco Master. Três nomes, um mesmo constrangimento: o da promiscuidade elegante entre poder, dinheiro e vaidade.
Não é ilegal, dizem. Ótimo. Mas desde quando ética se mede apenas pelo Código Penal? O problema não é o crime. É o exemplo....
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A arte de continuar
POR RICARDO MARQUES
Hoje é meu aniversário. Já se passaram tantas luas que até me perco na conta — e talvez isso seja um bom sinal. Millôr Fernandes dizia que “cada vela soprada no bolo do aniversário é parte da contagem regressiva”. É verdade. Mas envelhecer não é apenas perder tempo: é ganhar densidade.
A juventude acredita que o tempo é infinito. A maturidade aprende que ele é precioso. Envelhecer é trocar pressa por sentido, barulho por escuta, quantidade por...
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O enigma da solidão
POR RICARDO MARQUES
A solidão é um espelho curioso: para alguns, revela paz; para outros, escancara abismos. Há quem a procure como quem busca silêncio para organizar a alma. E há quem a tema, porque no vazio surgem perguntas que ninguém responde por nós.
O mistério da solidão está aí. Ela não é boa nem ruim em si. É ferramenta. Pode ser abrigo ou prisão. Na dose certa, a solidão ensina autonomia, fortalece o pensamento, amadurece escolhas. É no estar só que muita...
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Partidos em queda, eleitores em fuga
POR RICARDO MARQUES
Os números falam baixo, mas dizem muito. Em 2025, os partidos políticos do Brasil perderam mais de duzentos mil filiados. É gente saindo em silêncio, desistindo da carteirinha, abandonando a sigla, virando as costas para a política organizada. Não é detalhe estatístico. É sintoma. Sintoma de um eleitor cansado, desconfiado, saturado de promessas recicladas e alianças sem alma.
Os partidos, quase todos, encolheram. MDB, PSDB, PP, PDT, União Brasil… todos...
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TJMA e o BRB: quando a toga flerta com o risco
POR RICARDO MARQUES
Há algo de estranho quando a Justiça, essa senhora austera de olhos vendados, resolve brincar de banco. No Maranhão, o Tribunal de Justiça mantém um contrato milionário com o Banco de Brasília, justamente quando o BRB aparece no noticiário escoltado por suspeitas, rombos bilionários e alertas do Banco Central. Coincidência? No Brasil, coincidência é apenas um nome elegante para constrangimento.
Dizem que está tudo sob controle. Sempre dizem. Diziam isso...
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Maranhão cresce, e desafio agora é transformar números em vida melhor
POR RICARDO MARQUES
Os novos dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) trazem uma notícia que merece atenção — e algum otimismo. Em apenas dois anos, a participação das classes A, B e C no Maranhão saltou de 44,37% para 54,96%. Um avanço de 10,59 pontos percentuais. Não é detalhe estatístico. É gente saindo da pobreza, entrando na classe média, ampliando consumo, oportunidades e expectativas.
Esse movimento ajuda a entender por que o Banco do Brasil projeta crescimento de...
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