Ao insistir no Morro do Alecrim como ponto para construção de um santuário, o governo Fábio Gentil demonstra estar em desconformidade com a realidade de Caxias. Escolha mais infeliz não poderia ter sido. A área é um dos pontos mais importantes de Caxias. Um local mencionado por inúmeros trabalhos de renomados historiadores. Se levado a cabo, o projeto do tal santuário pode gerar danos irreparáveis ao patrimônio histórico cultural do município, com forte impacto depreciativo sobre as ruínas da Balaiada, que ficarão ainda mais vulneráveis à ação do homem. Sem falar na questão legal em si, a área é tombada pelo Instituto Histórico Nacional desde 1990.
Que fique bem claro: este entendimento nada tem a ver com questão nenhuma de ordem religiosa. O advento de um santuário é até bem-vindo. Estes locais, com o tempo, costumam atrair milhares de fieis. Gente que sai de suas cidades para devotar sua fé. Para o comércio da cidade representaria um ganho substancial – sobretudo em tempos de crise, como este que estamos vivenciando. O problema é o local escolhido pela prefeitura. Será que não há, em Caxias, outro morro, que dê visibilidade ao pretenso monumento, sem, no entanto, dar margens para atentados futuros contra o patrimônio público histórico e cultural da cidade?
As pessoas de bom senso que integram o governo deveriam buscar mostrar ao prefeito Fábio Gentil o disparate que é insistir na construção do santuário em um local mais que impróprio. E pior: da maneira como o projeto está sendo tocado, sem diálogo, na base da imposição.
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