Ricardo Marques

Atenção, senhores: podem roubar à vontade!

Publicado: 22/10/2014 12:58 - Atualizado em 22/10/2014 00:00 - 0 comentário


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O eleitor não está nem aí.

 

Dilma guardou silêncio por mais de mês sobre o escândalo de corrupção que reduziu à metade o valor da Petrobras.

 

O escândalo tem a ver com o desvio de recursos para enriquecer políticos que apoiam o governo e financiar campanhas. A de Dilma, inclusive.

 

Por que na semana passada, finalmente, Dilma avisou a jornalistas que a entrevistavam: “Houve desvio, sim!”?

 

Primeiro: o desgaste de continuar fingindo que desconhecia o escândalo estava pegando mal junto a formadores de opinião.

 

Segundo: Dilma se sentiu confortável para reconhecer o escândalo ao saber que políticos do PSDB também meteram a mão na grana da Petrobras.

 

Ora, se todos roubam por que não podemos roubar? Se todos são uns pilantras por que não podemos ser?

 

E daí?

 

Daí, nada.

 

Salvo uma parcela do eleitorado que baba de raiva quando ouve falar em roubalheira, o resto está pouco se lixando. Parte do pressuposto de que todo político é ladrão. E de que só nos resta aturá-los.

 

O mensalão 1, o pagamento de propina a deputados federais para que votassem como queria o governo, fez tremer o governo no segundo semestre de 2005. Lula chegou a pensar em desistir da reeleição.

 

O primeiro semestre do ano seguinte começou com a recuperação da popularidade de Lula. O segundo terminou com a reeleição de Lula com larga vantagem de votos sobre Geraldo Alckmin (PSDB).

 

João Vaccari, tesoureiro do PT e representante da campanha de Dilma junto à Justiça Eleitoral, está metido até o último fio de sua quase careca na corrupção que ameaça engolir a Petrobras.

 

Vaccari foi nomeado por Dilma para o Conselho Administrativo da Itaipu Binacional. Ganha R$ 20 mil para participar de duas reuniões mensais.

 

- A senhora confia em Vaccari? Confia? – perguntou Aécio a Dilma no debate da TV Record.

 

Dilma fez que não ouviu.

 

Desde que façam alguma coisa pelos mais pobres, os políticos poderão continuar roubando à vontade.

 

 

(Ricardo Noblat)

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