
A foto acima é um dos últimos registros que tenho ao lado dele – ao centro com Tia Teresa, rodeado pelas filhas karla e Letícia, os genros Humberto e Almino, minha mãe Mirian, e meu irmão Juliano, ao fundo.
Acordo neste sábado (28) com a triste notícia do passamento de meu tio José Aedo Silveira, morto vítima de problemas decorrentes de uma pneumonia, perto de completar 80 anos. Lembranças povoam minha mente e remontam ao distante tempo, no final da década de 1970, quando levei uma sonora bronca dele, por eu ter distribuído cachaça para os funcionários da fábrica de meu pai-avô, em pleno horário de expediente. Tio Aedo era disciplinador, mas sempre muito justo. E antes de tudo, ele dava o exemplo. Sempre fora muito austero, moral e eticamente, consigo mesmo. Jamais se permitiu qualquer tipo de desvio de conduta, por menor que fosse, que pudesse macular sua imagem.
Irmão mais velho de minha mãe, Tio Aedo é uma referência para toda a família. Um homem que cultivava o prazer da leitura; de personalidade forte e inteligência aguçada. Muito daquilo que eu sou foi inspirado em Tio Aedo – um dos oradores mais eloquentes que já ouvi. Quando discursava era simplesmente incrível, envolvia a plateia, fosse ela grande ou pequena. O conteúdo da fala, a entonação das palavras, a pausa entre uma e outra frase, a respiração cadenciada... Jamais esqueci aquele estilo contundente de discursar. Ele sabia como ninguém prender a atenção do público.
Tio Aedo viveu uma bela história de amor. Cedo, ele casou com a sua cara-metade, minha tia Teresa Dantas, mulher extremamente educada e uma das mais elegantes que conheço - uma dama na mais legítima expressão da palavra.
Com Tio Aedo vai-se parte importante das minhas referências. Depois que a gente avança a casa dos cinquenta, a vida parece escorrer lenta e gradualmente por entre os dedos – tudo passa rápido demais e ficamos marcados por despedidas. Toda vez que alguém importante na vida da gente vai embora leva um pedaço de nós e passamos a viver de lembranças – são tantas que chegam doer na alma. Mas, como disse o poeta, 'o tempo não para'.
Vá em paz, Tio Aedo, qualquer dia a gente volta a se encontrar novamente, em algum lugar. Eu creio!
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Comentários
César Barreto
28/04/2018 22:53
Estive hoje á tarde no velório sepultamento do seu tio Aedo aqui em Baturité, meu caro primo-sobrinho Ricardo, prestando essa última homenagem à digna pessoa que ele foi e apresentando aos familiares o meu pesar, pois mesmo indiretamente me sinto parte da família Silveira. Um abraço.
Marcos Moreira
28/04/2018 11:39
Caro Ricardo, gostaria de me solidarizar com a família Silveira, que com certeza perde um dos seus grandes homens. Fica aqui o pesar da família Moreira de Baturité por mais uma perca de uma grande personalidade de nosso município de Baturité. Vai com DEUS.
Marcos Moreira
28/04/2018 11:38
Caro Ricardo, gostaria de me solidarizar com a família Silveira, que com certeza perde um dos seus grandes homens. Fica aqui o pesar da família Moreira de Baturité por mais uma perca de uma grande personalidade de nosso município. Vai com DEUS.
Marcos Moreira
28/04/2018 11:37
Caro Ricardo, gostaria de me solidarizar com a família Silveira, que com certeza perde um dos seus grandes homens. Fico aqui o pesar da família Moreira de Baturité por mais uma perca de uma grande personalidade de nosso município. Vai com DEUS.