Ricardo Marques

Dilma vence, mas Brasil que sai das urnas é outro

Publicado: 27/10/2014 08:07 - Atualizado em 27/10/2014 00:00 - 0 comentário


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Eu acompanhei a apuração dos votos zapeando entre as rádios CBN, Jovem Pan News e Estadão. Durante toda a transmissão dos trabalhos, nenhum comentarista ousou afirmar quem seria o eleito. Mesmo quando se chegou a 95% dos votos apurados – e Dilma abriu uma pequena vantagem sobre Aécio, coisa de menos de dois pontos percentuais – não houve quem dissesse que a parada estava resolvida.

 

De fato foi a mais disputada eleição presidencial da história recente do Brasil. Os institutos de pesquisa erraram vários prognósticos e, a meu ver, não foi intencional. Exemplos: Na véspera da eleição o Ibope deu Delcídio do Amaral (PT) – aliás, um bom nome petista - como provável governador eleito de Matogrosso do Sul. Também deu que Helder Barbalho (PMDB) venceria no Pará. Ambos acabaram derrotados.

 

Mas por que os institutos erraram tanto? Porque o eleitor flutuou de candidato para outro nesta eleição como em nenhuma outra. Eu mesmo só me decidi pelo voto em Aécio, após o derradeiro debate do primeiro turno. Conheço muitos eleitores, amigos meus, que também mudaram o voto na última hora. E não apenas a favor de Aécio, pró Dilma também.

 

Essa flutuação do eleitorado pode ter a ver com o fato de o brasileiro estar mais atento ao processo eleitoral, tanto que a audiência dos debates foi a maior de todas as eleições.

 

Já o resultado das urnas – Dilma 51,6%, contra 48,4% de Aécio – revela que um novo Brasil está surgindo, mais consciente e vigilante.

 

Assim, Dilma e o PT terão de repensar a maneira como estão conduzindo o país e, principalmente, como se relacionam com os aliados.

 

Foi tão atípica esta eleição, que quem primeiro ligou para cumprimentar a presidente Dilma Rousseff foi o candidato derrotado Aécio Neves. Mais que um gesto decente, considero um avanço na jovem democracia brasileira.

 

Parabéns aos eleitos!

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