Eu acompanhei a apuração dos votos zapeando entre as rádios CBN, Jovem Pan News e Estadão. Durante toda a transmissão dos trabalhos, nenhum comentarista ousou afirmar quem seria o eleito. Mesmo quando se chegou a 95% dos votos apurados – e Dilma abriu uma pequena vantagem sobre Aécio, coisa de menos de dois pontos percentuais – não houve quem dissesse que a parada estava resolvida.
De fato foi a mais disputada eleição presidencial da história recente do Brasil. Os institutos de pesquisa erraram vários prognósticos e, a meu ver, não foi intencional. Exemplos: Na véspera da eleição o Ibope deu Delcídio do Amaral (PT) – aliás, um bom nome petista - como provável governador eleito de Matogrosso do Sul. Também deu que Helder Barbalho (PMDB) venceria no Pará. Ambos acabaram derrotados.
Mas por que os institutos erraram tanto? Porque o eleitor flutuou de candidato para outro nesta eleição como em nenhuma outra. Eu mesmo só me decidi pelo voto em Aécio, após o derradeiro debate do primeiro turno. Conheço muitos eleitores, amigos meus, que também mudaram o voto na última hora. E não apenas a favor de Aécio, pró Dilma também.
Essa flutuação do eleitorado pode ter a ver com o fato de o brasileiro estar mais atento ao processo eleitoral, tanto que a audiência dos debates foi a maior de todas as eleições.
Já o resultado das urnas – Dilma 51,6%, contra 48,4% de Aécio – revela que um novo Brasil está surgindo, mais consciente e vigilante.
Assim, Dilma e o PT terão de repensar a maneira como estão conduzindo o país e, principalmente, como se relacionam com os aliados.
Foi tão atípica esta eleição, que quem primeiro ligou para cumprimentar a presidente Dilma Rousseff foi o candidato derrotado Aécio Neves. Mais que um gesto decente, considero um avanço na jovem democracia brasileira.
Parabéns aos eleitos!
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