Ricardo Marques

Os estertores da oligarquia

Por: Ricardo Marques | Publicado: 19/09/2018 11:20 - Atualizado em 31/12/1969 21:00 - 0 comentário


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O Maranhão ainda está perplexo com os virulentos ataques do candidato ao Senado Alexandre Almeida (PSDB) contra seu aliado histórico Edison Lobão (MDB), na propaganda eleitoral da última segunda-feira (17). Alexandre esteve irreconhecível. Foi ferino, desleal, intempestivo e controverso. Supostamente, serve de laranja às pretensões do clã Sarney, que se agarra à eleição de Sarney Filho (PV), como um afogado agarrado a uma tábua de salvação qualquer.

Já se sabia que a pretensão oligárquica de retomar o controle absoluto do Estado era tarefa das mais difíceis, praticamente impossível. Bem avaliado, o governador Flávio Dino (PCdoB) entrou na disputa pela reeleição amparado num índice de aprovação popular estratosférico – que só subiu durante a campanha – e as ações de seu governo positivamente reconhecidas pelos mais importantes veículos de comunicação do país.

O Maranhão mudou e isto é fato. O noticiário nacional, que antes só conseguia exibir o estado em pautas negativas devido as mazelas socioeconômicas, com ênfase na barbárie de Pedrinhas com suas decapitações diárias, hoje mostra uma nova realidade. Um levantamento do G1 – o portal de notícias da TV Globo – revela que Flávio Dino é o governador que mais cumpriu as chamadas promessas de campanha.

O clã Sarney sabia dessa realidade, acima exposta, razão pela qual Roseana relutou em ser a candidata do grupo ao Governo do Estado. E ela tinha razão, Branca é quem mais tem a perder, caso seja massacrada nas urnas – como parece que será.

68 anos 

Entretanto, o grupo precisava manter seus tentáculos cravados no poder nacional. O Senado é a ambiência perfeita para uma sobrevida à oligarquia. Acreditavam que Lobão e Sarney Filho, pelo tempo de mandato – somados, os dois dão 68 anos –, “comeriam a papa” sem precisar fazer muito esforço, até porque os dois candidatos apresentados pelo governador eram pouco conhecidos do grande eleitorado.

Recall

No entanto, a carruagem desandou. Embalada pelo recall da campanha de 2016 para prefeita de São Luís, Eliziane deslanchou, encostou e ultrapassou a dupla sarneyzista.

Fenômeno

Weverton – o outro candidato dinista –, começou lá trás e caminha para ser o grande fenômeno eleitoral de 2018, dificilmente o pedetista deixará de ser eleito senador. E pelo o que se observa da atual fase eleitoral, Weverton deverá ser o mais votado.

Autofagia

Bastou a campanha para o Senado chegar a este estágio, acima exposto, para a oligarquia entrar em convulsão. O clã Sarney parece ter surtado, e Alexandre teria deixado tragar-se por uma artimanha maquiavélica contra um dos cabeças da oligarquia, num evidente sintoma de autofagia.

Estertores

A manter-se o rumo dos fatos que permeiam a conjuntura da atual corrida eleitoral no Maranhão, é possível que estejamos assistindo aos estertores da mais longeva oligarquia que se tem registro na história do Brasil.



Fonte: Ricardo Marques

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