Passava pouco das 13h quando o ofegante senhor chega para falar com o advogado.
- Doutor, meu filho fez besteira hoje de manhã e está preso.
- Qual foi a besteira que ele fez?
- Roubou o celular de uma menina que passava na rua. Foi má influência de amigos, doutor.
- Neste caso há duas alternativas para o senhor.
- Quais são?
- A primeira: pagar meus honorários agora, para que eu comece de imediato a trabalhar em favor da soltura dele.
- E a segunda opção, doutor?
- Comprar café, cigarro e jornal do dia e levar para seu filho distribuir com os demais detentos, para ele não ser importunado pelos colegas de cela.
- Deus me livre, doutor, a mãe dele está muito preocupada. Quanto o senhor cobra para soltá-lo o mais rápido possível?
- Meu trabalho custa $$$$. Mas antes me deixe explicá-lo uma coisa: Quem solta é o juiz, advogado pede para soltar.
- Tudo bem, eu entendo, doutor. O senhor parcela esse valor?
- Geralmente, nesses casos, não há como dividir, pois depois que passarinho sai da gaiola, voa e não se ouve mais seu canto. Mas, por conhecer o senhor, e me compadecer de sua aflição, me dê metade agora e um cheque com o restante para 30 dias.
- Tudo bem.
No mesmo dia o rapaz foi dormir em casa, para felicidade da família dele.
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