Ricardo Marques

Em desespero pelo prenúncio de derrota vexatória, clã Sarney transforma ‘O Estado do Maranhão’ em pasquim de quinta categoria

Publicado: 26/09/2018 11:02 - Atualizado em 26/09/2018 00:00 - 0 comentário


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A reportagem contra a TV Difusora estampada nas páginas do jornal O Estado do Maranhão – o impresso do Sistema Mirante de Comunicação –, em sua edição desta quarta-feira (26), chega ser deprimente. Primeiro, porque agride seus milhares de leitores, numa tentativa vã de ludibriá-los e, pasmem, criar factoides rasteiros e infundados para influenciar o judiciário eleitoral. A Difusora apenas cumpre determinações judiciais. Depois, porque, lamentavelmente, expõe a imagem de um dos mais importantes veículos de imprensa do Maranhão, quando o transformam, aberta e despudoradamente, num pasquim sem-vergonha, atentando contra a imagem dos grandes profissionais que fizeram e dos que ainda fazem a história daquele jornal.      

Compreensível que o clã Sarney esteja desesperado. Os rumos vislumbrados no horizonte da atual corrida eleitoral no Maranhão não são nada alvissareiros para a família e seus aliados. Pela primeira vez em mais de 50 anos, a família que manteve a hegemonia sobre o poder no Estado e com forte influência no poder que emana do Distrito Federal pode ficar sem um representante no Senado da República. 

Que a volta ao Palácio dos Leões era um desejo praticamente inalcançável para a família Sarney já se sabia de antemão. Desde os primórdios da pré-campanha eleitoral os levantamentos feitos para consumo e avaliação internos já apontavam que o povo maranhense está satisfeito com o modelo de gestão implantado pelo governador Flávio Dino (PCdoB). E, mais que isto, não quer de volta velhas práticas da velha política que resultaram num Maranhão atrasado, socioeconomicamente falando, a despeito de suas inúmeras potencialidades e do poder e influência que seus “representantes” sempre tiveram na esfera federal. 

Mas o clã Sarney e seus aliados apostavam que conseguiriam se manter no jogo do poder elegendo os dois senadores do grupo. Naquela fase de pré-campanha parecia que a avaliação estava correta. No entanto, bastaram poucas semanas de efetiva campanha eleitoral para a realidade virar o jogo. Agora, a 11 dias da eleição, não há um observador consciente sequer que aposte na eleição dos candidatos da oligarquia. Edison Lobão (MDB) e Sarney Filho (PV) devem ser derrotados pela nova política representada pelos candidatos Weverton (PDT) e Eliziane Gama (PPS).

Natural que o quadro acima exposto eleve a temperatura no clã Sarney e exponha o desespero que toma conta da oligarquia nesta reta final de campanha. O que não é legal e nem aceitável é o uso do jornal O Estado como instrumento de artimanhas maquiavélicas que visam tumultuar o processo político-eleitoral maranhense. Isto adoece o jornalismo maranhense.

Tristeza

Este redator esclarece que faz esta explanação com um sincero sentimento de tristeza. Em O Estado do Maranhão vivi um dos melhores e mais felizes períodos de minha carreira no jornalismo – foi um tempo inesquecível. 

Aprendizado

Com uma coluna política diária redigida a partir de Caxias, pude conviver e aprender com alguns dos maiores profissionais do jornalismo maranhense, em especial os meus ex-chefes Ribamar Corrêa (Diretor de Redação) e Sílvia Moscoso (Editora de Estado), que também já deixaram o jornal.

Correto 

Os sentimentos de respeito e gratidão para com os colegas e chefes daquela época mágica que vivi em O Estado são extensivos ao acionista Fernando Sarney que sempre foi correto com este profissional e se mostrou uma figura fantástica, de trato fácil e agradável. Quem conhece o FS de perto não tem como não gostar dele.

Lamentável

O fato é que as coisas andam estranhas lá para as bandas do Sistema Mirante. A qualidade editorial do grupo decaiu. Só o adverso momento político da família poderia justificar. Mas é lamentável assistir a tudo isso.

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