Ricardo Marques

Bolsonaro e seus cabras da peste terão de se adaptar à liturgia do poder

Publicado: 12/11/2018 10:03 - Atualizado em 12/11/2018 00:00 - 1 comentário


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Paulo Guedes, o "Posto Ipiranga" 

Alçado à condição de “Posto Ipiranga” (espécie de "Zé faz tudo"), do futuro presidente Jair Bolsonaro ainda durante a campanha eleitoral, o economista Paulo Guedes já deu sinais de ser tão troglodita quanto seu chefe. PG foi escolhido superministro da Economia para dar credibilidade ao candidato perante o mercado. Não se revelou alguém com capacidades para impressionar – salvo os bolsominions, mas estes, tal qual os lulopetistas, se impressionam até com um poste, desde que indicado por seus líderes. Ainda assim, quando o segundo turno ficou entre Bolsonaro e Fernando Haddad (leia-se o PT), então o mercado passou a enxergar em Guedes a pessoa mais linda do mundo. Mas ele está longe de ser um Henrique Meirelles, ou um Armínio Fraga, ou um Pedro Malan... menos ainda um Roberto Mendonça de Barros, nomes igualmente benquistos pelo mercado, mas com trânsito e respeitabilidade junto à seara político-partidária. 

PG é completamente inexperiente no setor público, daí porque se explique suas trombadas com a classe política e com a imprensa, a cada vez que abre a boca. Fundador do Banco Pactual, seu estilo ultraliberal agrada ao mercado, convenhamos. Entretanto, seu temperamento mandão e mal educado vai, fatalmente, provocar um choque entre ele e o presidente. É questão de tempo.

Assim, toda essa propulsão a arroubos deve levar PG a quebrar um paradigma na área econômica, onde os ministros não costumam protagonizar polêmicas geradoras de crise. Ok, Antonio Palocci provocou crises, sim, mas por escândalos pessoais, nada a ver com suas atribuições ministeriais. Guido Mantega deixou o País em crise econômica. Após sair do governo, envolveu-se em denúncias. Mas, nem ele nem nenhum outro provocou turbulências por declarações e gestos. O governo Bolsonaro parece disposto a inovar nisto.

Nem assumiu suas funções no superministério e PG já deu causa a crises. A maior delas com o Senado, ao se rebelar contra a votação do Orçamento para o ano que vem. Se imiscuiu onde não lhe cabia e mostrou desconhecimento de procedimentos ao fazer pressão para que a lei orçamentária não seja aprovada no prazo em que deve ser. Orçamento de um ano é aprovado no ano anterior. O ministro não quer que isso seja feito. Sinaliza desconfiança em relação ao atual Senado – onde, dos 81 parlamentares com assento na Casa, 27 têm mais quatro anos de mandato e outros oito foram reeleitos.

“Prensa” 

O futuro superministro também queria que os senadores votassem a reforma da Previdência ainda este ano, numa tentativa desastrada de pautar o Senado – de novo, algo que não lhe diz respeito. Chegou, inclusive, a sugerir uma "Prensa” nos senadores. E, pasme, fez isso em frente das câmeras. Mais sem noção impossível.

Trombada 

Outra trombada de PG foi com a imprensa, ao dar resposta atravessada a uma jornalista argentina, num claro arroubo, que causou mal-estar diplomático com todo o Mercosul.

Política

Os futuros inquilinos do Palácio do Planalto e da Esplanada dos Ministérios precisaram entender que não farão nada na marra. Nada mesmo. Terão de construir pontes, dialogar, convencer, ceder. Política é assim. Não é um banco ou fundo de investimentos. Figuras proeminentes do futuro governo têm mostrado temperamento forte. Mas terão de deixar o estilo brigão para trás e adotar boas maneiras de convivência.

Liturgia

Em síntese: em algum momento Bolsonaro e seus cabras da peste terão de descer do palanque. Do contrário serão engolidos pela liturgia do poder.

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Comentários


Cidades do Maciço Dia-a-dia

12/11/2018 10:21

É por ai. Só- mente os eleitores do coiso, não enxergam o desastre que avizinha. Até quando.