E de repente, assim do nada, surgiu uma horda de “especialistas” em medicina e cultura cubanas. O momento serve para esclarecer a influência que as redes sociais exercem na sociedade contemporânea. Pessoas que não sabem bulhufas sobre o Programa ‘Mais Médicos’ disparam mensagens a torto e a direito – favoráveis ou contrárias, depende do viés ideológico de cada autor – sobre o tropeção do presidente eleito Jair Bolsonaro que pode deixar milhões de pessoas desassistidas, sobretudo nos bolsões de miséria deste Brasil varonil, onde, histórica e culturalmente, médico brasileiro jamais se dispôs ir.
Tal qual o método preconizado por Joseph Goebbels, o Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista – espécie de marqueteiro de Hitler –, “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Na era moderna esse entendimento ganha proporções amazônicas, pois não se trata de uma, mas de incontáveis mentiras que diariamente pululam na tela do smartphone – a maioria sem pé e nem cabeça.
O problema é que, por mais absurdas e amalucadas que sejam, essas versões acabam por envolver todo mundo. Ninguém está imune a onda de insanidades proferidas nas redes sociais, até pessoas cultas e bem informadas restam tragadas pelas maluquices.
Jair Bolsonaro foi o primeiro político brasileiro a sacar que o povo está suscetível às idiossincrasias disseminadas nas redes sociais, por mais cabeludas que sejam as estórias compartilhadas – foi este procedimento, aliás, o propulsor de sua eleição. No caso do ‘Mais Médicos’, por exemplo, o presidente eleito tenta justificar suas agressões ao governo cubano – motivadas pela doutrina que ele recebeu na caserna – com mentiras estapafúrdias. E pior, tem muita gente embarcando nessas esparrelas.
Vamos às mais recorrentes:
1 - Os médicos cubanos não podem trazer suas famílias
Pura balela, jamais houve qualquer empecilho do governo cubano para que os médicos atuantes no Brasil – ou em qualquer outro país – trouxessem seus familiares.
Este redator – que também é advogado – buscou a embaixada de Cuba para tratar da vinda de dois filhos, uma nora e um neto do casal Wilfredo Alfonso Lorenzo Felipe e Beatriz Torres Perez, ambos médicos com larga experiência em programas internacionais humanitários do governo cubano, que chegaram ao Brasil em novembro de 2013 para atuar em Caxias (MA) pelo ‘Mais Médicos’.
Prontamente, a embaixada cubana autorizou a vinda dos familiares de Wilfredo e Beatriz, que somente não vieram porque o programa foi abalado com cortes significativos pelo governo Miclel Temer (MDB) – após o polêmico impeachment da presidente Diolma Rousseff (PT).
2 – O governo de Cuba fica com a maior parte do dinheiro pago aos médicos cubanos
Este argumento demonstra total desconhecimento acerca do povo cubano e sua cultura. Diferentemente de nós, brasileiros – que só pensamos no próprio umbigo e o restante que se lasque –, os cubanos têm um sentimento de solidariedade e amor à pátria que os torna, mais que um povo, uma só família. Lá não existe qualquer tipo de preconceito regional – diferente daqui, lá, o pessoal sulista não se acha melhor que o nordestino.
Wilfredo e Beatriz – que de tão amigos nossos viraram membros da família – nos contaram que esse dinheiro oriundo do ‘Mais Médicos’ possibilitou vários benefícios essenciais para a população cubana, como triplicar o salário de médicos e enfermeiros que atendem a população cubana, por exemplo.
Ou seja, os cubanos em momento algum se sentiram ultrajados por não embolsarem a totalidade da grana firmada pelo governo brasileiro. A noção de cidadania deles é outra. Até porque, diferente do Brasil, o povo cubano sabe que é vítima do maior e mais brutal embargado econômico na história da humanidade. E que, médicos, engenheiros, advogados... são formados pelo Estado – sabem que é justo, portanto, retribuir com algum tipo de sacrifício em favor de seus irmãos.
3 – O ‘Mais Médicos’ só tem médico cubano
Outra mentira. Os médicos cubanos são os últimos na fila de preenchimento das vagas do ‘Mais Médicos’, a prioridade é dos brasileiros – que não querem trabalhar nos rincões do Brasil onde ficam os bolsões de miséria do país. A questão é que jamais as vagas do programa foram preenchidas em sua totalidade por médicos brasileiros – o que obrigou o governo a buscar alternativas lá fora.
O principal objetivo do programa é levar mais profissionais para regiões onde há escassez ou ausência de médicos. Aqui, no Maranhão, em pelo menos quatro municípios, só existem médicos cubanos. Sem eles, estima-se que 28 milhões de pessoas ficarão desassistidas no Brasil.
Além de cubanos e brasileiros, o ‘Mais Médicos’ também conta com profissionais de outros países, como Peru e Bolívia. Ocorre que os cubanos são mais capacitados para atuar em situações de extrema dificuldade, comum naqueles locais inóspitos. Nenhum médico brasileiro se ofereceu para trabalhar, por exemplo, em áreas remotas da Amazônia ou em comunidades indígenas.
Dinheiro
O Conselho Regional de Medicina (CRM) sempre bateu duro na contratação de médicos cubanos, mesmo sabendo que a qualidade da medicina preventiva de Cuba é referência internacional. O médico cubano não concorre com o brasileiro. O objetivo do CRM é meramente corporativista. A medicina praticada no Brasil é dominada pelas elites e visa tão somente lucro, pouco importando-se com as classes mais pobres.
Mundo
Este redator admite que toda esta exposição acima é inócua, pois facilmente se percebe que a população está cega pelo viés ideológico que lhe toldou a razão. Não é coisa brasileira. Lamentavelmente, o mundo caminha para um abismo onde os valores cristãos, éticos e morais estão sendo consumidos pelo egoísmo da individualidade. O ódio sem razão de ser prevalece entre as pessoas. Perderam-se por completo o respeito e amor ao próximo.
Fonte: Ricardo Marques
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Comentários
Dione Silveira
17/11/2018 21:18
Muito bom ! Parabéns, meu querido!
CECÍLIA MARIA LIMA PEREIRA BEZERRA
17/11/2018 13:55
Excelente !!!
Edmilson Coutinho Beleza
16/11/2018 17:58
Merecido, que ela faça uma boa administração.