Ricardo Marques

Polícia anuncia prisão de suspeitos de matar Marielle, mas caso continua sem esclarecimento após 9 meses

Publicado: 14/12/2018 11:33 - Atualizado em 14/12/2018 00:00 - 0 comentário


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Marielle e Anderson 

As autoridades do Rio de Janeiro ainda não conseguiram esclarecer os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Os dois foram mortos no dia 14 de março – há exatos nove meses. O crime chocou o país e chamou atenção do mundo pelo modo bárbaro e covarde como fora praticado. 

Nesta quinta-feira (13), agentes da Polícia Civil carioca prenderam milicianos, alguns deles seriam suspeitos de envolvimento no crime.

Foi durante uma operação cinematográfica. Além de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; em Petrópolis, na Região Serrana; e em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro; teve nego preso também em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Em Angra dos Reis, os policiais chegaram a ficar encurralados por traficantes, e precisaram da ajuda de policiais militares e até de um helicóptero. Um dos agentes, aliás, foi atingido por estilhaços e teve ferimentos leves.

Já na cidade de Juiz de Fora, em Minas, os policiais do Rio, que estavam em carros descaracterizados, foram confundidos com bandidos, durante uma abordagem da Polícia Militar mineira, que chegaram a parar a equipe, após denúncias anônimas “de homens armados que estavam circulando pela cidade”. Sorte que não houve tiroteio.

Em coletiva à imprensa, o delegado que está à frente das investigações sobre as mortes de Marielle e Anderson, explicou que a operação faz parte do enfrentamento às milícias existentes no Rio e que seriam as responsáveis pelos assassinatos da vereadora e do motorista. //

Hoje completam-se 9 meses que Marielle e Anderson foram mortos. Até ontem as autoridades de segurança do Rio se mantinham em silêncio. Tudo bem, o silêncio faz parte da estratégia da polícia durante as investigações. É compreensível.

Mas um detalhe nessa operação de ontem merece atenção. A polícia deixou para fazer as prisões exatamente no dia da inauguração da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). E foi durante a solenidade de inauguração, inclusive, que o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, falou sobre as prisões.

A edição desta sexta-feira (14) do jornal O Estado de São Paulo (O Estadão) traz a informação que o secretário de Segurança Pública do Rio, Richard Nunes, disse que Marielle Franco foi morta porque os milicianos acreditavam que ela poderia atrapalhar negócios de grilagem de terras na Zona Oeste do Rio, e que os bandidos superestimaram a capacidade da vereadora de atrapalhar as transações imobiliárias da milícia.

A operação de ontem não deixa de ser um avanço no caso Marielle, entretanto, o fato de o anúncio ter sido convenientemente durante inauguração da Decradi dá aparência de oportunismo midiático sobre um caso de intolerância – a Marielle era negra e tinha uma relacionamento com outra mulher. Ficou, no mínimo, suspeito.

Milícia carioca planeja matar o deputado Marcelo Freixo, segundo polícia

Marcelo Freixo, alvo das milícias do RJ

Também ontem, a Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou um relatório confidencial que cita um policial militar e dois comerciantes como suspeitos de envolvimento em um novo plano para executar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Marcelo Freixo é um parlamentar de atuação reconhecida internacionalmente pela defesa dos direitos humanos e das minorias, e que costuma bater de frente contra os interesses das milícias e o tráfico de drogas. 

Aliás, de acordo com o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro (BOPE), Rodrigo Pimentel – que é autor do enredo que deu origem ao filme “Tropa de Elite” –, o deputado Marcelo Freixo, inspirou a criação do personagem ‘deputado Fraga’ – que era desafeto do Capitão Nascimento (magistralmente interpretado pelo ator Wagner Moura) e tal... Até que no Tropa de Elite 2, ele ,Fraga, casa-se com a ex-mulher de Nascimento, degringolando de vez a relação entre os dois... Mas no fim eles terminam se tolerando. Um filmaço!

Mas, enfim... De acordo com o jornal Metro, três homens ligados a um grupo de milicianos da Zona Oeste do Rio, que é investigado pela Divisão de Homicídios pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, estariam planejando matar Marcelo Freixo. Os homens também aparecem no controle de operações ilegais da máfia dos caça-níqueis e do jogo do bicho.

O assassinato de Freixo, segundo revelado pela inteligência da polícia carioca, aconteceria durante uma agenda programada pelo parlamentar para este sábado (15), em Campo Grande, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, onde o deputado participaria de um encontro com militares e professores da rede particular de ensino, no sindicato da categoria, marcado para amanhã.

Por sugestão da polícia, o deputado Marcelo Freixo cancelou o evento de amanhã.

Pelo visto não tá nada fácil a vida de político honesto no Rio de Janeiro, hein?!

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