O deputado federal eleito Márcio Jerry (PCdoB) criticou a maneira desdenhosa como o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) se referiu à formalização do bloco oposicionista na Câmara dos Deputados, integrado pelo PCdoB, PSB e PDT. As siglas formalizaram o bloco na última quinta-feira (20) e, instantes depois, Bolsonaro desdenhou pelo Twitter: “Se me apoiassem é que preocuparia o Brasil”.
Durante o programa ‘Hashtag Só Que Não (#SQN)' deste sábado (22), na Sinal Verde FM, de Caxias (MA), MJ falou com este redator, ao vivo, por telefone – veja a íntegra aqui. Disse que a postura de Bolsonaro não se coaduna com a de um presidente democraticamente eleito, pois a formação de blocos é, além de legítimo, um ato perfeitamente comum no ambiente parlamentar de todo o mundo onde há democracia, e que no Brasil não teria porquê ser diferente.
O deputado federal eleito lembrou que PCdoB, PDT e PSB atuam em bloco desde muito tempo. “Durante os governos do PT, essas siglas estiveram unidas, em bloco, para garantir no Congresso Nacional a aprovação de projetos que resultaram em significativos avanços sociais para o País. Agora, o bloco se justifica pelo enfrentamento às eventuais propostas que possam atentar contra as garantias desses direitos em favor da classe trabalhadora e das minorias”.
Ainda durante sua participação no '#SQN', Márcio Jerry reafirmou que, a partir de fevereiro vindouro, quando tomará posse na Câmara dos Deputados, vai exercer o mandato que lhe foi outorgado em outubro. Ainda segundo o comunista, a decisão de ficar em Brasília foi tomada em conjunto com o governador Flávio Dino (PCdoB) e demais lideranças do grupo dinista.
Secretário de Estado de Articulação Política e Comunicação e presidente estadual do PCdoB no Maranhão, MJ, que é considerado uma espécie de braço direito do governador Flávio Dino (PCdoB), é uma voz respeitada dentro da esquerda. E ele tem razão na crítica ao desdém bolsonarista.
Ainda mais porque, juntos, PSB, PDT e PCdoB elegeram 70 deputados federais para a próxima legislatura, que começa no ano que vem. A maior bancada da Câmara será do PT, que elegeu 56 deputados. Se juntar PT, PSB, PDT e PCdoB, a bancada salta para 126 parlamentares – inclua-se ainda o PSOL, que elegeu 10 deputados, e o bloco vai a 136, algo bastante considerável, num universo de 513 deputados.
Mais do que perfeitamente possível de acontecer, a junção dessas siglas seria algo extremamente natural – são partidos que atuam no mesmo espectro ideológico, o chamado campo democrático da esquerda. Então, a besteira dita pelo "mito" se torna ainda maior. Sobretudo, porque a nova Câmara será marcada pela fragmentação partidária. Serão 30 legendas com representação naquele Parlamento, a partir do próximo ano, fato que costuma dificultar a articulação de qualquer governo.
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