Morte, sob quaisquer circunstâncias, é sempre um evento doloroso e traumático. Quando envolve a vida de um jovem mais ainda. Morte decorrente de assassinato é algo brutal, que abala além de familiares. E quando vítima e autor são cidadãos de bem, uma atmosfera de perplexidade toma conta do ar. Deixa todos em profundo estado de estupefação.
Foi o que ocorreu em Caxias (MA) na madrugada deste domingo (16), quando o agente da Polícia Federal, Isnardo Franciolli Guimarães dos Santos, matou com um tiro no peito o tenente do Exército, José Ramos Correia Júnior.
O crime ocorreu em frente de uma badalada pizzaria da cidade e chocou a população. De acordo com os primeiros levantamentos colhidos pela polícia ainda no local, autor e vítima teriam discutido por motivo banal. O segundo teria parado o carro no meio da via pública, enquanto o primeiro teria pedido passagem. Houve rápida discussão e, por fim, ouviu-se o estrondo de um tiro de pistola ponto 40. Dizem que foi tudo muito rápido.
Não quero aqui entrar no mérito dos fatos. Seria prematura e leviana qualquer opinião nesse sentido.
Como advogado criminalista que sou, sei, por experiência da minha profissão, que a verdade somente será conhecida nos autos, após todo o transcurso processual, com oitivas de testemunhas, análises de laudo cadavérico e de perícias, bem como confronto de argumentos e contra-argumentos que certamente serão trazidos à baila pela acusação e defesa.
Enfim, é cedo fazer qualquer juízo de valor, pois os fatos somente serão esclarecidos quando se conhecerem os pormenores das circunstâncias que resultaram na tragédia. É hora de respeitar a dor das famílias envolvidas, e lamentar que vidas de jovens talentosos tenham sido tragadas de maneira tão banal. A vítima, de 23 anos, oficial do Exército, cursava a faculdade de Direito. O autor, um pouco mais velho, mas ainda assim também jovem, policial federal e professor universitário. Duas famílias choram o drama que teve início naquela fatídica madrugada.
Brigas de trânsito viraram rotina e já estão entre as principais causas de conflito resultantes de homicídio no Brasil. Motoristas com os nervos à flor da pele e/ou tomados pelo álcool barbarizam nas ruas e autoestradas do país, expondo vidas inocentes. Sob essas circunstâncias, ninguém está imune a esse tipo de tragédia. Qualquer um de nós está sujeito a matar ou morrer.
Retificação: A pedido do pai da vítima, informamos que o jovem José Ramos Correia Júnior tinha 23 anos, e não 25 conforme afirmamos inicalmente.
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