A destrambelhada demissão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República e homem próximo de Jair Bolsonaro, Gustavo Bebianno, expõe o nível altíssimo de influência que os filhos do presidente exercem sobre o pai.
Bebianno não caiu porque é incompetente. Existem outros ministros no governo Bolsonaro tão ou mais incompetentes que o Bebianno – a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, é um exemplo.
Também não dá para dizer que Bebianno caiu por causa do laranjal que ele coordenou nas eleições do ano passado. Se laranjas fossem problema no governo Bolsonaro, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, já teria caído.
Bebianno caiu porque trombou de frente com um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro. Os filhos do presidente, aliás, são o grande apêndice deste governo. Apesar de nenhum deles formalmente ocupar qualquer cargo na esfera hierárquica no governo do pai, mandam e desmandam no Palácio do Planalto.
Aliás, o governo Jair Bolsonaro é notoriamente divido em quatro núcleos: o político – liderado pelo ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; o civil – liderado pelo superministro da Economia, Paulo Guedes; o militar – sob influência do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno; e o familiar – que tem à frente os filhos de Bolsonaro, Flávio, Eduardo e Carlos, ou os “três patetas”, como os meninos são chamados nos bastidores do poder.
O fato é que a Presidência da República, hoje, mais parece prefeitura de cidade do interior, onde o povo elege um prefeito e quem manda na “viúva” são os filhos.
Jair Bolsonaro tem se revelado um presidente extremamente despreparado. O processo que resultou na exoneração de Bebianno aprofunda este entendimento. O “sai e fica, fica e sai” que marcou o evento é típico da indecisão que tem sido a marca do indeciso presidente que diz uma coisa pela manhã e desdiz à tarde.
Disparar verborreia pelas redes sociais também não é prática salutar que se espera de um líder. Alguém precisa avisar para Jair Bolsonaro que a campanha acabou faz tempo e que ele é o presidente da República. Retuitar mensagem do filho chamando o ministro de mentiroso não é uma postura digna de ninguém, menos ainda para o mandatário de uma nação. E o argumento de “foro íntimo” para explicar a demissão de um auxiliar muito próximo abre um leque de suposições, a maioria nada republicanas.
Entre os rumores circulantes em torno do caso, um fala da intenção de Bolsonaro de acomodar Bebianno. Primeiro, em um cargo qualquer na usina de Itaipu. Bebianno disse que não aceitou. Depois, segundo O Globo, teria sido oferecida embaixada em Roma, também recusada.
Caso se confirmem os rumores, é preocupante o trato amadorístico do governo com uma das maiores empresas da área energética do mundo e, também, com a condução da diplomacia brasileira.
O fato é que esse governo Bolsonaro tem se revelado uma grande piada. Infelizmente, de muito mau gosto.
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