O Dia de São José chega hoje bem acompanhado pelas previsões otimistas dos serviços de meteorologia sobre um bom inverno para a região nordestina. A data é uma das principais da cultura religiosa popular do nordeste. E é feriado municipal em Caxias (MA), padroeiro da cidade.
Como a maior parte dos festejos religiosos nordestinos, a data tem um valor simbólico particular para os habitantes católicos da região: Se chover no Dia de São José – diz a tradição popular – o inverno bom estará garantido.
Inverno, para os nordestinos, é a estação das chuvas e tem um significado libertador para quem atravessa o clima cáustico do verão e de seu calor sufocante. A partir dos sinais colhidos nesta data, o agricultor sertanejo sente-se munido de elementos suficientes para julgar se haverá uma boa colheita ou não.
Evidentemente, são elementos subjetivos, frutos do ''saber popular”, empírico, mas ninguém pode simplesmente torcer o nariz para eles, pois, de certa forma, estão embasados numa relação muito estreita do homem com a natureza. Resultam de uma experiência empírica, não desprezível, visto que reúnem observações naturais efetuadas ao longo de décadas e séculos, passando de uma geração a outra.
Hoje, a ciência tem uma visão mais aberta em relação ao ''saber popular”.
O sertanejo considera o conhecimento prático como sendo o conhecimento verdadeiro. É a partir da prática do seu cotidiano que ele faz a leitura do universo. Enquanto os cientistas fazem cálculos, medem e comparam parâmetros meteorológicos, o agricultor observa o céu, as nuvens, as estrelas... Analisa o comportamento dos animais, das aves, da vegetação para fazer suas projeções sobre o clima. Só o preconceito e um positivismo anacrônico podem desprezar tais elementos como parte de um legítimo processo de conhecimento.
Por conta disso tudo, devemos receber o Dia de São José como uma celebração legítima dos valores cultivados pela população católica nordestina, resultantes de um universo cultural merecedor de todo respeito - mesmo dos que dele não comungam diretamente.
Então, viva São José!
Fonte: Ricardo Marques
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