Ricardo Marques

De quando o Jornalismo ainda não era esse grande balcão de conformidades que se vê hoje em dia

Publicado: 26/03/2019 10:59 - Atualizado em 26/03/2019 00:00 - 1 comentário


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Se a exemplo deste redator você também gosta de Jornalismo – assim, com J maiúsculo –, daquele tempo que a função primordial de um jornal era dar vez e voz ao cidadão comum, cotidianamente violentado pelo poder público e pelas grandes corporações privadas – antes de virar esse grande balcão de conformidades que se tornou hoje –, então, recomendo a assistência de “The Post – A Guerra Secreta”. E você nem precisa ser amante do bom Jornalismo para gostar desse longa. A direção é de Steven Spielberg; com Meryl Streep e Tom Hanks nos papéis principais – ela a herdeira de um dos maiores jornais impressos dos EUA, e ele o diretor de Redação. Esse trio, por si, já vale a assistência, independente do enredo.

Em síntese, o longa narra um dos episódios mais relevantes da liberdade de imprensa nos EUA, quando o jornal The Washington Post resistiu às pressões do governo Nixon e publicou documentos comprometedores sobre a Guerra do Vietnã. O caso deu origem ao Watergate, escândalo que resultou na renúncia do presidente Richard Nixon, do Partido Republicano.

Entretanto, “The Post – A Guerra Secreta” é uma viagem nostálgica aos bons e velhos tempos do Jornalismo. De quando os jornais tinham independência editorial e não se sujeitavam a imposições de governos e grupos empresariais.

Não que os grandes veículos no passado abrissem mão da verba pública ou do dinheiro oriundo da iniciativa privada, nada a ver. Jornalismo de verdade custa caro e é preciso fluxo de caixa para manter bons jornalistas e bancar matérias bem apuradas e relevantes. Além de tudo, um jornal é também um negócio. Porém, um jornalismo de subserviência, e indiferente aos anseios do leitor/telespectador/ouvinte, perde audiência e credibilidade, o que fragiliza o valor dos espaços publicitários. Quem não se dá valor, valor não tem.

Naquele tempo, retratado em “The Post – A Guerra Secreta”, a linha editorial dos jornais não sofria qualquer tipo de ingerência externa – pelo menos não na forma exacerbada como ocorre hoje, inclusive nas grandes redes. O que era notícia era noticiado, ainda que se abrissem amplos espaços para o contraditório – prática, inclusive, comum ao bom Jornalismo. Hoje há uma promiscuidade aguda fincada na relação pauta x interesse comercial/governamental. E isto está matando a essência do Jornalismo.


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Comentários


Ribamar Rodrigues

27/03/2019 00:00

Boa dica. Excelente opinião.