Ricardo Marques

Sobre o encontro de Flávio Dino com José Sarney

Publicado: 27/06/2019 10:09 - Atualizado em 27/06/2019 00:00 - 0 comentário


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O encontro do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), com o ex-presidente da República, José Sarney (MDB), nesta quarta-feira (26), em Brasília (DF), gerou as mais diferentes reações na paróquia, o que, convenhamos, era de se esperar, afinal ambos lideram as trincheiras extremas dos fronts político-partidário e ideológico maranhenses. Os dois tiveram uma longa e reservada conversa na residência que Sarney mantém na capital federal, e teriam tratado, segundo revelado pelo próprio governador, no Twitter, sobre o “quadro nacional”.

Entretanto, algumas reações mais estupefatas, ainda que perfeitamente compreensíveis, destoam da realidade atual, onde o poder central do País parece mergulhado num mar de insensatez. O encontro foi um movimento natural de dois líderes experimentados que têm consciência de onde já chegaram e aonde ainda querem chegar, e, sobretudo, das suas responsabilidades com a nação. Apesar de Dino e Sarney serem adversários no Maranhão e terem visões e posicionamentos diferentes – alguns, inclusive, diametralmente opostos – sobre quase tudo, em um ponto pelo menos é notório que ambos convergem: a defesa intransigente da democracia. Este, aliás, teria sido o fator motivacional do armistício.

O fato é que tanto Flávio Dino como José Sarney saíram do encontro de ontem maiores do que chegaram. O ex-presidente porque, embora esteja alijado do círculo central do poder pelos atuais inquilinos do Palácio do Planalto – algo extremamente raro de se vê –, revela-se ainda detentor de uma sapiência que o torna uma espécie de oráculo da cena político-partidária nacional. E o governador por demonstrar maturidade em nível suficiente para credenciá-lo de vez à corrida presidencial de 2022.

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