Não seria precipitado dizer que Flávio Dino é o virtual governador eleito do Maranhão. Sei que cenário político-eleitoral é volúvel por natureza e pode mesmo mudar num piscar de olhos. Porém, no caso da atual eleição para governador do Maranhão, é muito pouco provável que o quadro mude de tal modo que impeça a eleição de FD já em primeiro turno. Seria preciso ocorrer, nestes 12 dias restantes até 5 de outubro, um fato imprevisível qualquer com a força de um tsunami avassalador, capaz de revirar o cenário atual. É pouco provável que isto ocorra, convenhamos.
FD tem sabido jogar o jogo. Há tempos se preparou para o grande embate - e nem me refiro aqui à sua inegável capacidade intelectual.
Sabedor dos percalços que teria contra si no enfrentamento ao grupo político que há 50 anos detém a hegemonia política estadual, FD tratou de cercar-se de pessoas igualmente capazes. Reuniu em torno de si alguns dos melhores advogados do estado – iniciativa que tem se mostrado das mais acertadas.
No campo político-partidário, FD foi sagaz o suficiente para montar uma ampla coligação oposicionista como jamais vista na história recente do Maranhão. O apoio de políticos do naipe de Humberto Coutinho (ex-prefeito de Caxias e nome certo para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa a partir de 1º de janeiro) e de José Reinaldo Tavares (ex-governador e candidato forte a deputado federal) se mostrou imprescindível na consolidação das alianças em favor do projeto dinista de chegar ao Palácio dos Leões.
Ao tempo em que mexeu bem e prudentemente as peças do tabuleiro eleitoral, FD exercitou a paciência de um monge, sempre observando com olhar de águia a hora certa e a melhor maneira de avançar com passos seguintes.
Curiosamente, ao tempo em que o projeto dinista avançava e ganhava consistência, a oligarquia se mostrou atabalhoada. Roseana não conseguiu impor o candidato da preferência dela – por sinal, bem mais palatável e de melhor conteúdo que o atual. Pedrinhas entrou em colapso – e por consequência o sistema prisional como um todo. Escândalos e mais escândalos marcaram este que seria “o melhor governo da vida dela”.
Junte-se a tudo isso o fato de o Maranhão apresentar os piores indicadores socioeconômicos do país e que o povo maranhense cansou de submeter-se aos mandos e desmandos da mais longeva oligarquia da história republicana brasileira, e pronto, tem-se ardendo em fogo alto o caldeirão da mudança.
Em resumo, como diria o florentino, a Virtú e a Fortuna sorriram para FD. E ele, pelo menos até aqui, soube exercitá-las com primazia.
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