
Duas vias que jamais deveriam se cruzar
Historicamente, a religião sempre esteve enraizada no poder político. Basta uma simples leitura do passado da humanidade. Desde os primórdios a exploração da fé, utilizada hoje como instrumento para fomentar uma futrica suja por votos, é uma heresia bastante praticada. Ainda mais porque tal manifestação é coordenada pelos próprios líderes religiosos – de todas as denominações, sem exceção – que buscam o proveito próprio – só não enxerga quem não quer.
Este redator costuma dizer que quando chegar ao inferno – se é que isto existe de fato, há quem diga que o inferno está dentro de nós mesmos – vai encontrar um monte de figuras que hoje se consideram “salvas” porque dizem seguir uma “religião melhor” e, por isso, se acham melhores que as outras pessoas – quanta pretensão!
Sentimentos nobres como bondade, caridade e amor ao próximo, por exemplo, nada têm a ver com religião. Alguns dos piores genocidas da história eram religiosos devotos, vide Francisco Franco e Augusto Pinochet. Do mesmo modo como há entre os ateus sábios e humanistas de contribuições cruciais, como Stephen Hawking, Sigmund Freud ou o agnóstico Carl Sagan. No Brasil, Herbert de Sousa, o Betinho, foi um ateu que comandou a maior campanha social que o País conheceu. Drauzio Varella é outro ateu. Ricardo Boechat também era.
O fato é que ser ou não um seguidor religioso não pode ser transformado em questão fundamental para os rumos políticos do País. O Estado é laico e isso é uma garantia, sobretudo, a quem tem fé. É a garantia, inclusive, de que todos os credos serão respeitados e o Estado não será usado para proselitismo em prol de nenhum deles.
Fonte: Ricardo Marques

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