Padre Francisco retornou para Caraúbas (RN) na madrugada desta quarta-feira (24). Ontem à noite nos reunimos em torno dele para as despedidas. Ficaram a saudade e boas lembranças das gargalhadas que juntos compartilhamos nesses três meses e vinte e poucos dias que o nosso padre esteve conosco, hospedado na residência de meus sogros.
Padre Francisco não apenas faz parte da história da família Alencar, ele é membro da nossa família. Celebrou o casamento de todos os filhos e filhas de meus sogros, e batizou todos os netos e netas.
Devido a problemas de saúde, veio tratar-se em clínicas de Caxias (MA) e Teresina (PI). Graças a Deus retornou curado. E nós, ficamos espiritualmente renovados pelos sábios conselhos e orientações espirituais que diariamente dele recebíamos – na maioria das vezes de manhãzinha ou à noite, antes de irmos e/ou quando retornávamos do trabalho.
Francisco das Chagas Neto foi o mais carismático pároco da paróquia de São Benedito – pelo menos nesses meus 24 anos de Caxias não houve outro igual. Dono de uma eloquência envolvente, arrastava multidões que silenciavam para ouvi-lo. Era respeitado e querido por todos da cidade.
Jamais foi hipócrita. A sinceridade sempre foi característica presente na personalidade de Padre Francisco. Sempre soube quando era hora de aliviar com conselhos ou de reprimir com carões, quem quer que fosse.
Lembro que no início de sua chegada a São João dos Patos (MA) – assim que ele deixou Caxias, no ano de 2000, salvo engano –, seu jeito espontâneo e verdadeiro de ser abalou a comunidade católica daquela cidade, acostumada com tradicionalismos exacerbados. Mas, quando ele foi embora para o Rio Grande do Norte, a fim de ficar próximo de sua mãe que passava por graves problemas de saúde, também lembro, a cidade inteira, de mãos dadas, fez uma corrente quilométrica, onde homens, mulheres e crianças choravam e aplaudiam a partida dele, numa memorável demonstração de carinho e respeito.
Na época eu era repórter itinerante da TV Mirante, e quando viajávamos para os lados de São João dos Patos – ou “San Juan de Los Patos”, como chavámos eu e meus amigos Carlos Sérgio e Fábio Henrique (repórteres-cinematográficos que viajavam comigo) – ficávamos hospedados na casa de Padre Francisco, onde à noite o ouvíamos falar de amor e fé.
Depois que Padre Francisco foi para as bandas do Rio Grande do Norte, falei com ele apenas por telefone. Foram anos sem vê-lo, no mínimo uns 10. Ele virá breve à Caxias para batizar duas netas recém-nascidas de meus sogros e um terceiro que nasce até o final deste mês. Ainda assim, durante nossa última conversa, prometi que não passaria tanto tempo mais sem visitá-lo.
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