Quem disser que no País se pratica um jornalismo como se aprende na teoria falta com a verdade. Há, certamente, veículos de comunicação que procuram se pautar pela ética, pela imparcialidade, pelo bom senso. Fazem o que podem. E, em ano de eleição, manter o equilíbrio é tarefa quase impossível. Para quem já tem a tendência de falsear noticias, a época se torna propícia. Mas assim como a corrupção, o mau jornalismo vem de longe. No último livro da trilogia de Getúlio, o jornalista/escritor Lira Neto narra a guerra de notícias entre a Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda, e a Última Hora, de Samuel Weiner, no início da década de 1950. O primeiro, inimigo de Getúlio e seu governo, e, o segundo, um jornal praticamente chapa-branca.
A Tribuna da Imprensa chegou ao ponto de publicar uma entrevista de um ex-deputado, de nome Herófilo Azambuja, que depois declarou nunca ter falado com o repórter Natalício Norberto, que assinava o texto.Também adversário, melhor dizendo, inimigo de Getúlio, Roberto Marinho colocava os microfones da Rádio Globo à disposição de Lacerda para que ampliasse as denúncias (e mentiras também) que publicava no jornal. Samuel Weiner, que fora acusado de não ser brasileiro - teria nascido na região da Bessarábia- e por lei, impedido de ser proprietário de veiculo de comunicação, deu um jeito e conseguiu provar que seus pais chegaram ao Brasil sete anos antes de seu nascimento.Com estardalhaço publicou na UH a documentação que, pelos indícios, era falsa.
Hoje somos testemunhas de fatos semelhantes, praticados ,algumas vezes, com maior requinte e sutileza, para que se apresentem com credibilidade. A história apenas se repete e atualmente, com o agravante das redes sociais. Em tempo: se você ainda não leu a biografia de Getúlio, escrita por Lira Neto, está perdendo a chance de conhecer, com minúncias, um fundamental período da História, que serve para entender essa coisa estranha chamada Brasil.
BOLA DE CRISTAL
Tem o maior jeitão de picaretagem as listas que alguns jornalistas fazem com a relação dos deputados federais e estaduais que serão os mais votados. Parecem até que se consultam com a Irmã Jurema, aquela que “traz a pessoa amada em três dias”. Deve-se reconhecer que existem alguns políticos, cujas probabilidades de vitória são grandes, uns por terem eleitorado cativo e outros por causa das “balas na agulha” (leia-se dinheiro). Mas as relações dos eleitos” divulgadas na imprensa não passam de especulação, notadamente quando a listagem relaciona a bancada completa de parlamentares da Câmara Federal e da Assembléia Legislativa.
(Inês Aparecida - jornalista)
Fonte: O Povo
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