POR ARNALDO RODRIGUES
A nossa cidade a cada ano que passa ao invés de evoluir, só regride. O Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais de Caxias-SINTRAP, em mais uma ação se solidarizou aos servidores contratados do município de Caxias, principalmente os da educação, informando que os trabalhadores recebem um salário de escravos.
Essa situação análoga ao trabalho escravo que são submetidos os servidores contratados, não é de hoje. É lastimável saber o tamanho da humilhação que passam esses trabalhadores, haja vista que suas dignidades são afetadas por essas práticas que vêm servindo para que políticos inescrupulosos de nossa cidade se perpetuem no poder.
A prefeitura de Caxias passou a ser o maior empregador do município, e é durante o período letivo de cada ano, onde muitos ficam na expectativa de terem seus contratos renovados, ou ter a proeza de conseguir um contrato novo.
Diferentemente de outros municípios do Maranhão que utilizam- se de um processo seletivo para contratação de professores e demais servidores. É público e notório que nossos políticos locais preferem usar o conceito do “QI”, mais conhecido como (Quem indica) do que valorizar a competência cognitiva desses profissionais. Mas vale lembrar que o município de Caxias dispõe de lei que permite a contratação através de seletivo para o preenchimento de contrato temporário de servidores.
É notável ainda que esta prática de contrato temporário nos órgãos municipais rende dividendos políticos para as 19 potências legislativas patrocinadas pela superpotência executiva municipal. Há milhares de pessoas vêm sendo exploradas moralmente, psicologicamente e acima de tudo alienadas. Desse modo esses servidores passam a dever favores para uma determinada potência, pois na verdade por conta de sua sobrevivência se submetem a essa situação humilhante e degradante.
Recentemente, em um áudio divulgado em redes socias, uma potência legislativa humilhou os trabalhadores do “CEAMIS”, nessa época, sua esposa, era quem dirigia o órgão. Vale ressaltar ainda que há pouco tempo uma diretora de escola, no bairro Vila Paraíso, comportou-se como capitã-do-mato, e que também gravou um áudio para intimidar e humilhar seus colegas de trabalho. A servidora pública mencionada anteriormente também é contratada, porém, com um diferencial, tem as costas quentes.
Uma situação que era para ser uma substituição emergencial, tornou-se um círculo vicioso e dependência, tanto para quem indica e para quem será indicado. Não queremos demonizar o contrato de trabalho e nem os contratados, mas sabemos de suas importâncias para pais de famílias, pois é desses contratos que tiram seus sustentos. O que de fato é abominável é a exploração da força de trabalho dessas pessoas, principalmente os contratados da educação.
Para se ter ideia é tão ruim a forma de alienação que compromete até o calendário letivo da rede de ensino do município de Caxias, pois nunca começa por igual, tanto na zona urbana quanto na zona rural, prejudicando dessa forma o processo de ensino aprendizagem dos alunos.
A prefeitura de Caxias é a principal empregadora de mão-de-obra, pois é interessante para os políticos de plantão manter-se nesse sistema perverso. Percebe-se ainda que não há interesse algum por parte deles implantarem indústrias que venham gerar emprego e renda aos caxienses, pois é muito mais viável e lucrativo para eles essa política perversa que consequentemente causa um grande impacto no comércio, pois sabe-se que esse mercado depende também dos salários desses servidores. A capacidade de consumo do servidor contratatado é limitado até o mês de dezembro e nota-se que o comércio sofre queda em sua arrecadação de janeiro a março e durante esse período agonizante os servidores contratados ficam sem seus contratos, tornando assim inviável pagar contas, comprar mantimentos básicos e outros ítens necessários a sua sobrevivência. Muitos servidores não estatutários, sofrem pressão psicológica sem ter a certeza se terão ou não seus contratos renovados. Fica visível um entre e sai de potências legislativas da Secretaria de Educação na tentativa de proteger seus indicados e emplacar mais alguém.
Outra situação degradante e penosa é dos servidores contratados da Saúde, esses ao menos têm um contrato permanente, porém, não recebem suas gratificações e nem contribuem para previdência social, sendo assim jogados à própria sorte. Quando comenta-se que é humilhante a situação que passam os contratados, muitos fecham os olhos para essas atrocidades. Um exemplo contundente é no período eleitoral, onde os mesmos devem participar de reuniões políticas e levar toda a família e ai daquele que ouse faltar, porque o Exercíto de reserva entrará em ação. A mais-valia, nesse caso, é o potencial de votos que cada contratado pode dar para o seu candidato.
Quando o SINTRAP denuncia que os servidores contratados do município de Caxias vivem uma situação análoga à escravidão, a grosso modo nos referimos aos vereadores e prefeitos de Caxias -MA, onde os chamamos de “potências” e os mesmos obrigam seus subordinados a participarem em massa de todas as reuniões políticas. Em ligeira comparação, no que ocorreu nos séculos XVI a XIX e foi uma forma de exploração da força de trabalho de homens e mulheres africanas, exploradas pelas potências da época: Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Portugal e pela superpotência Inglaterra.
As potências caxienses promovem uma geopolítica de domínio de territórios, usurpando o trabalhador, roubam também sonhos de milhares de jovens, seja zona urbana ou rural, apropriam-se e dividem entre si um determinado território, podendo gerar conflitos por disputas de reduto eleitoral, tudo isso patrocinado pela superpotência, no caso, o prefeito de Caxias, mas como diz um velho amigo: é triste a realidade da Princesa do Sertão, “o servidor contratado na maioria das vezes, não serve a população, serve a quem o empregou”.
*Professor
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