Naquela manhã, como de costume, o peregrino acordou cedo, fez suas orações matinais, e retomou às narrativas em seu diário. O café da manhã estava posto e logo seria hora de seguir sua jornada. O canto dos pássaros quebrava o silêncio ensurdecedor, comum naquela época do ano nas gélidas montanhas do Nepal. Algo estava diferente e não era a neblina que lhe anuviava o horizonte. Toda vez que Samantha partia deixava um enorme vazio em seu coração. Ele sabia que não tinha mais forças para lutar contra aquela paixão avassaladora que o consumia por dentro, mas o medo de amar o dominava por completo. O mistério que envolvia aquela cigana de olhos verdes e pele de jambo o deixava ainda mais assustado com a possibilidade cada vez mais real de enveredar-se por um caminho sem volta.
De fato, Samantha era mesmo uma mulher de beleza incomum, mas o peregrino não sabia ao certo se o que tanto o atraía era o mistério que a cercava ou aquele jeito fogoso de fazer amor que lhe tirava a paz só de pensar naqueles instantes em que ele se perdia nos braços da bela.
Avistou a imponente cordilheira do Himalaia e fez uma prece para Sidarta Gautama, o Buda. Pediu sabedoria e proteção. Só então partiu.
Fonte: Ricardo Marques
Deixe seu comentário aqui
Comentários
Nenhum comentário foi encontrado, seja o primeiro a comentar!