Ricardo Marques

O braço bandido da Band

Publicado: 15/04/2015 10:20 - Atualizado em 15/04/2015 00:00 - 0 comentário


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A cena se repete todos os dias: o carro de reportagem da Band-Caxias, um corsa classic, estaciona próximo à bomba de óleo diesel de um posto de combustíveis. No porta-malas do veículo dois tambores de 200 litros. O combustível é transportado até a sede da repetidora, onde é despejado em um gerador, a fim de fazer funcionar o transmissor, pelo menos entre às 07h e às 21h.

 

Risco real de explosão

 

O quadro é surreal, porém verdadeiro!

 

O transporte afronta de morte a severa regulamentação da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que faz uma série de exigências, a fim de evitar acidentes. No caso da Band Caxias, o fato não é novidade. A cidade de Caxias (MA) toda sabe. Do delegado de polícia aos juízes (federal e/ou estadual), passando pelos promotores e procuradores de Justiça, comandantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros locais e o inspetor da Polícia Rodoviária Federal. Até o bispo da Igreja sabe.

 

 Veículo não tem placa dianteira e dificilmente IPVA está em dia

 

A Companhia Energética do Maranhão (CEMAR) cobra na justiça uma dívida estimada em aproximadamente R$ 2 milhões, referente há anos de fornecimento de energia não-pagos pelo Sistema Veneza de Comunicação, empresa que detém o sinal de retransmissão da Televisão Bandeirantes, duas outras tevês, uma rádio FM e uma AM – esta última fora do ar desde 2002.

 

Cansada de sofrer com as insistentes ligações clandestinas (gatos) feitas pelo Sistema Veneza, a CEMAR retirou as canelas dos postes mais próximos daquela unidade consumidora. O jeito foi apelar para um velho, porém potente – e resistente! – gerador de energia à base de óleo diesel.

 

Não creio que o Grupo Bandeirantes saiba, mas no prédio onde funciona a Band Caxias, outras duas repetidoras estão instaladas (SBT e Record) – e, a exemplo da própria Band, funcionam de maneira exacerbadamente amadora e precária - a última, inclusive, sem autorização da rede.

 

Pior que este não é o único pecado da repetidora da Band em Caxias. A empresa é velha conhecida da Justiça Trabalhista, onde responde a inúmeras ações, algumas, inclusive, com decisão transitada em julgado e mandados de execução expedidos – alguns há 10 anos. Também responde pelo crime de apropriação indébita previdenciária, em várias outras demandas. A empresa estaria em nome de testa de ferro falecido há dois anos, cuja família agora cobra na justiça comum a posse das empresas – além do sistema de comunicação, um posto de combustíveis.

 

A Execução Trabalhista é de 2008, até hoje não foi cumprida  

 

A família proprietária da Band em Caxias, de tão enrolada, entrou para o anedotário do Maranhão. O patriarca, Paulo Marinho, foi prefeito de Caxias e deputado federal – teve mandato cassado por corrupção e é conhecido velhaco – não paga gente viva e já foi preso por não pagar pensão alimentícia. A matriarca, Márcia Marinho, que também foi prefeita de Caxias, tal qual o marido, virou ficha suja e também está banida da vida pública.

 

O casal de fichas sujas também é conhecido em todo o Maranhão por ser lacaio da decadente oligarquia Sarney. Aliás, essa relação umbilical com os Sarney, dizem, seria o salvo-conduto dos Marinho que os manteria fora da cadeia e com o patrimônio intacto, apesar das inúmeras dívidas e condenações.

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