Ricardo Marques

Dilema de governo: Energias limpas ou petróleo?

Publicado 21/01/2023 08:55:53 0 comentário


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POR AZIZ SANTOS

No mercado internacional de óleo e gás, uma afirmação é clara: empresas do setor de petróleo precisam avançar na agenda ambiental, social e governança, isto porque as principais petroleiras não estão fazendo o suficiente para evitar os piores efeitos da mudança climática. E mais: tais empresas passaram a ser tão responsáveis quanto os governos pelo aquecimento global.

Grandes petroleiras como a Petrobrás, apesar de avançarem na agenda ainda engatinham na transição energética. O Plano estratégico da companhia prevê altos investimentos para a exploração de petróleo na Margem Equatorial, composta por áreas ambientalmente sensíveis e estratégicas em relação à biodiversidade, como a Foz do Amazonas.

O Boletim Informativo MEIO, em edição recente, publica o seguinte a propósito do assunto: com 80% dos manguezais do Brasil — base de teias alimentares e modos de vida tradicionais, como pescadores, indígenas e quilombolas —, a Costa Amazônica é um território estratégico para a conservação da biodiversidade. Mas esse paraíso natural está em risco: há anos o governo brasileiro e petroleiras de diversas partes do mundo tentam abrir novos poços para a exploração de petróleo e gás na Foz do Amazonas. Essa atividade pode alterar drasticamente a vida local, sem falar nas emissões e gases de efeito estufa. Precisamos entender como abrir um poço de petróleo que só deve produzir daqui a 15 anos e pode colocar em risco uma região de biodiversidade única no mundo.

O MEIO traz ainda a fala de Isadora Coutinho e Maria Clara Arouca, pesquisadoras do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, segundo as quais enquanto a Petrobrás não retomar uma atuação de empresa de energia, não parece que estará fazendo parte do futuro da energia no País.

Enquanto isso, no Maranhão, pelo que se lê, governo e alguns parlamentares federais lutam “bravamente” para que a Petrobrás explore com a maior rapidez os lençóis de petróleo da Margem Equatorial.

O que pensa o Governo do Maranhão? Trabalhar para produzir energias limpas (eólica, solar, biomassa, hidrogênio verde, etc.), apostar em energia emissora de gases de efeito estufa, ou pretende trabalhar nas duas frentes?

Este é um assunto cuja discussão não deveria ficar restrita ao governo, mas precisa ser amplamente socializada no mundo político, acadêmico, empresarial, nas entidades do terceiro setor ligadas à problemática ambiental, entre outros.

*Economista, ex-secretário de Planejamento do Maranhão

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