
Tony Ramos como Getúlio Vargas, simplesmente 'impagável'
Impossibilitado de ingerir álcool por conta das fortes dores na coluna, aproveitei o feriado de São Pedro para ler. Concluí “Pablo Escobar – Ascensão e queda do grande traficante de drogas”, biografia do narcotraficante, de autoria do jornalista colombiano Alonso Salazar Jr., e “A ira dos anjos”, romance-ficção do renomado autor norte-americano Sidney Sheldon.
No feriado em si, segunda-feira (29), por acaso vi “Getúlio”. O filme é incrível. E não apenas pelas irretocáveis atuações de Tony Ramos e Drica Moraes. Ele na pela do presidente, ela no papel de Alzira, filha e fiel escudeira. Desnecessário discorrer sobre o talento desses dois que, seguramente, integram o seleto rol dos grandes atores do país, mas em “Getúlio”, é possível afirmar sem exagero algum que ambos transcenderam seus talentos.
Sim, “Getúlio” fascina pela qualidade das citadas atuações e figurino impecável. No entanto, o que de mais relevante poder-se-ia dizer da obra é que se trata de uma aula, não somente de história propriamente dita, vez que aquele período da cena brasileira, compreendido pelos 19 últimos dias que antecederam o suicídio do presidente Getúlio Vargas, está devidamente contado e registrado em inúmeros livros. A diferença é que, em ”Getúlio”, pode-se viver aquele momento “por dentro”, tem-se a consciência acerca do submundo que envolve o poder, marcado por interesses mesquinhos, traições e perfídias outras de toda sorte.
Mais que um mero passatempo ou uma aula de história do Brasil, “Getúlio” traz à tona os bastidores do poder, revelando os podres e pudores da Corte. Longe de ser considerado um ato de covardia, a história provou que o suicídio de Getúlio Vargas foi, sim, um ato de coragem a favor da democracia, e que seu legado está aí até hoje, como por exemplo, a Petrobras, invocando para o Estado o monopólio sobre o petróleo nacional, além de algumas das mais importantes conquistas em favor do trabalhador brasileiro, como o 13º salário e o FGTS.
Outra certeza extraída da obra biográfica chega ser inexorável: é preciso tempo para se conhecer por inteiro as verdades sobre fatos marcantes, quase sempre manipulados para atender diferentes interesses afins. Neste ponto, ao desnudar pontos controversos da história, a obra faz verdade o conhecido provérbio, cuja autoria este humilde redator desconhece: “O tempo é o senhor da razão”.
Fonte: Ricardo Marques
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