A nova postura do deputado pegou muita gente de surpresa, inclusive a presidente da Assembleia.
A nova postura adotada pelo deputado Carlos Lula na Assembleia Legislativa do Maranhão pegou muita gente de surpresa, inclusive a presidente da Casa, deputada Iracema Vale. Acostumada a pastorear a turma sem sobressaltos, ao ouvir um cabrito berrar em um tom diferente do restante do rebanho, a presidente estranhou. Por isso, ainda repercute o pronunciamento da última terça-feira, quando o deputado se declarou candidato à vaga de conselheiro do TCE-MA - o Tribunal de Contas do Estado.
Carlos Lula surpreendeu ao cobrar uma postura mais autônoma do legislativo estadual. E disse estar disposto a judicializar a disputa pela indicação, se for o caso. O deputado socialista tem alguma razão. O TCE conta com sete conselheiros, quatro escolhidos pelo legislativo e três pelo executivo. O último empossado foi Daniel Itapary Brandão, que é sobrinho do governador Carlos Brandão, e foi indicado pelo próprio tio. Agora é a vez da Assembleia indicar o próximo conselheiro.
O problema é que Lula não se insurgiu das vezes anteriores em que o governo arrochou o cabresto nos deputados. Nem mesmo quando o governador quis emplacar no Tribunal de Justiça (TJMA) o seu agora pretenso indicado ao TCE, o advogado Flávio Costa, num movimento que não deu certo porque o rapaz não comprovou o mínimo de dez anos de advocacia, um dos requisitos para virar desembargador. O fato, aliás, expôs de forma vexatória a subserviência da Assembleia e da seccional maranhense da OAB, a Ordem dos Advogados do Brasil. Ambas as instituições sabiam que o jovem causídico não é devidamente habilitado para o cargo e mesmo assim aprovaram a indicação que lhes fora empurrada goela abaixo pelo governador. O TJMA barrou a indicação e deu no que deu. Agora o mandatário estadual maranhense quer repetir a dose, passando por cima da autonomia dos deputados.
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