POR RUY PALHANO
Dia 8 de março, comemora-se no mundo todo o Dia Internacional da Mulher, certamente uma das datas mais importantes no calendário das datas comemorativas deste planeta. Em alusão a est data e por demonstração de carinho e respeitos às mulheres do mundo, apresento-lhes este artigo que trata das doenças mentais que afetam um número significativos de mulheres em nosso país e no mundo.
O Dia Internacional da Mulher foi oficialmente reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1977 e sua origem remonta ao início do século XX, marcada por lutas de mulheres por melhores condições de trabalho, direito ao voto, e igualdade de direito.
Um dos eventos frequentemente associados ao surgimento do Dia Internacional da Mulher ocorreu em 8 de março de 1908, quando mulheres trabalhadoras do setor de vestuário e têxtil realizaram uma grande manifestação em Nova York, nos Estados Unidos, nesta ocasião reivindicavam melhores condições de trabalho, redução da jornada de trabalho, salários mais justos e direito ao voto.
Em 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca, a líder socialista alemã Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher. A proposta visava promover a igualdade de direitos para as mulheres, incluindo o sufrágio universal. A proposta foi aprovada unanimemente pelas mais de 100 mulheres de 17 países presentes, incluindo as primeiras três mulheres eleitas para o parlamento finlandês.
A primeira celebração do Dia Internacional da Mulher aconteceu em 19 de março de 1911, em países como Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça, com reuniões e manifestações que reivindicavam o direito ao voto, ao trabalho e à não discriminação das mulheres.
Com o passar dos anos, a data de 8 de março foi sendo adotada por mais países como o Dia Internacional da Mulher, tornando-se uma ocasião para reivindicar igualdade de gênero, celebrar as conquistas das mulheres em diversas esferas da sociedade e chamar a atenção para as questões que ainda afetam as mulheres em todo o mundo.
Quando cruzamos doenças mentais e gêneros, sabe-se que tanto homens quanto mulheres, podem apresentá-las, todavia há diferenças na prevalência, sintomas e tratamento entre os gêneros. Estudos mostram que as mulheres têm maior probabilidade de serem diagnosticadas com certos transtornos mentais, como depressão e ansiedade.
Além disso, as mulheres podem experimentar sintomas específicos relacionados às flutuações hormonais, como a síndrome pré-menstrual e a depressão pós-parto. A pressão social, estresse relacionado às responsabilidades familiares e desigualdade de gênero também podem contribuir para os transtornos mentais nas mulheres.
No entanto, é importante ressaltar que nem todas as mulheres experimentam doenças mentais, porém todas deveriam ter acesso a informações e serviços de saúde mental para cuidar de sua saúde emocional, independentemente do gênero.
Existem várias doenças mentais que são mais comuns entre as mulheres. Alguns exemplos incluem:
1. Depressão. As mulheres têm duas vezes mais chances de serem diagnosticadas com depressão do que os homens. Fatores hormonais, ciclo menstrual, eventos traumáticos na vida e pressão social podem contribuir para o desenvolvimento da depressão nas mulheres.
2. Transtornos de ansiedade. A ansiedade é mais prevalente entre as mulheres, com uma taxa de 2:1 em comparação com os homens. Estresse excessivo, desigualdade de gênero, papéis sociais e expectativas podem aumentar o risco de desenvolvimento de transtornos de ansiedade.
3. Transtornos alimentares. Transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e transtorno de compulsão alimentar periódica, têm maior prevalência entre as mulheres. Fatores culturais, pressões sociais e imagem corporal podem contribuir para esses transtornos.
4. Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). O TEPT é mais comum em mulheres, com uma prevalência mais alta de exposição a eventos traumáticos, como abuso sexual e violência doméstica.
Da mesma forma como o 5. Transtorno bipolar. Embora essa doença afete homens e mulheres igualmente em número, as mulheres tendem a ter quadros de transtorno bipolar mais frequentes e intensos associados aos ciclos hormonais, como o período pós-parto.
É importante lembrar que esses são apenas exemplos de doenças mentais que têm maior prevalência em mulheres, mas qualquer pessoa, independentemente do gênero, pode ser afetada por qualquer transtorno mental. O importante é buscar ajuda profissional quando necessário.
O uso de álcool e outras drogas também é uma questão que afeta tanto homens quanto mulheres, mas existem diferenças nas motivações, padrões de uso e consequências para cada gênero. No caso das mulheres elas podem usar álcool e outras drogas por diferentes razões, como lidar com o estresse, lidar com traumas ou problemas emocionais, buscar prazer ou conexão social, ou até mesmo como automedicamento para transtornos mentais não diagnosticados. No entanto, é importante ressaltar que o uso problemático de substâncias pode ter graves consequências para a saúde física, mental e emocional das mulheres.
As mulheres têm maior vulnerabilidade a determinados efeitos negativos do uso de álcool e drogas. Fisiologicamente, as mulheres tendem a ter menor tolerância e metabolização mais lenta de substâncias, o que significa que podem ficar intoxicadas com menos quantidade e ter efeitos mais intensos e duradouros.
Além disso, o uso de álcool e drogas entre mulheres também está associado ao aumentado de violência sexual e doméstica, estigma social, discriminação. Por ex. a síndrome fetal alcoólica (SFA) é um transtorno grave ultra complexo revelado por conjunto de transtornos físicos, cognitivos e comportamentais que ocorre em mulheres expostas ao consumo de álcool durante a gestação. A SFA apresenta consequências que podem ser diferentes devido a diferenças econômicas, biológicas e fatores sociais.
As mulheres grávidas que consomem álcool têm um risco direto de prejudicar o desenvolvimento do feto. O álcool atravessa placentária afetando o crescimento e desenvolvimento do sistema nervoso central do feto. Mulheres que bebem durante a gravidez têm maior probabilidade de darem à luz bebês com problemas de crescimento, malformações congênitas, deficiências cognitivas e dificuldades comportamentais, em outras palavras a SAF.
*Médico Psiquiatra, Escritor, Membro Efetivo da Academia Caxiense de Letras (ACL) e Dr. Honoris Causa pela Emil Brunner World Universit -EBWU. Flórida - EUA
Fonte: Opinião
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