O homem que passou a vida servindo como testa de ferro da família Marinho morreu pobre e à míngua. Raimundo Walter Queiroz Aguiar - morto ano passado, vítima de complicações decorrentes do diabetes - era um homem pacato, exímio contador, que aceitou - sinceramente, não sei porquê cargas d’água -, servir de testa de ferro nas empresas da família Marinho.
Na Justiça do Trabalho, o nome dele era motivo de chacota. Nas incontáveis reclamações trabalhista contra o Sistema Veneza de Comunicação, Jornal da Cidade e/ou Fazenda Estrela, lá estava “Seu Walter” – como carinhosa e respeitosamente o chamávamos – no pólo passivo, representando a empresas dos Marinho.
As emissoras de rádio e televisão, bem como a Fazenda Estrela e alguns imóveis da famiglia constariam como pertencentes à R.W.Q. Aguiar ME – empresa de fachada, no nome de Seu Walter, utilizada para dar calote nos funcionários da família Marinho, bem como na Receita Federal, Justiça do Trabalho e INSS.
Em face de inúmeros crimes, tais como, não cumprimento de execuções trabalhistas; dívidas ativas da Receita Federal; apropriação previdenciária indébita e outros dessa estirpe, Seu Walter chegou a ser preso e passou noites atrás das grades. Ele respondia calado pelos crimes que não praticara, pois era tão-somente usado pela família Marinho como teste de ferro de empresas falidas e sonegadoras de impostos.
Seu Walter, como eu disse no começo, morreu pobre e à míngua.
Mas o pior veio depois. Agora a família dele foi notificada de uma dívida ativa na Fazenda Federal. E só ficou sabendo, porque a filha de Seu Walter – que não se relacionava com ele havia 20 anos – teve de assinar documentos de liberação do corpo. Foi o suficiente para a Receita Federal, de posse do número do CPF dela, repassasse uma dívida deixada pelo pai, junto à Fazenda Pública, de R$ 61.555,31 (valor referente a novembro de 2013), fora multa e correções monetárias.
À filha de Seu Walter restam duas opções: Pagar o montante do próprio bolso ou convencer a família Marinho a assumir a dívida. Conhecendo os Marinho como nós conhecemos, é mais fácil a galinha criar dentes do que esta segunda opção acontecer.
O pior é que, agora, a filha de RWQ Aquiar teme que outras dívidas ativas, contraídas pelas empresas da família Marinho, e igualmente não pagas, também sejam incorporadas ao CPF dela.
Após décadas de fidelidade canina aos Marinho, o homem usado como testa de ferro morreu à míngua e deixou uma herança maldita para a filha. Quem se envolve a fundo com os Marinho, nem depois de morto consegue ter paz.
E ainda tem eleitor que vota nessa gente sem escrúpulo. Ou é ingenuidade ou é burrice.

Fonte: Ricardo Marques
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