A corrupção parece estar mesmo entranhada na cultura política do povo brasileiro. Mensalão, Lava-Jato, Petrolão... E tantas outras mais que se tem notícia são apenas a ponta do iceberg. Basta ver que os corruptores de agora são os mesmos de sempre: banqueiros e empreiteiros endinheirados com trânsito livre nos porões do poder.
Não custa lembrar que, durante o governo Collor, quando se instalou as CPI’s do Impeachment e a do Orçamento, descobriu-se quem eram os corruptores. O então senador Pedro Simon foi um dos líderes num movimento entre seus pares congressistas da época pela criação da CPI dos Corruptores, que chegou a obter o número necessário de assinaturas, até ser instalada, e depois sepultada sem funcionar.
Ou seja, os corruptores alimentam a corrupção endêmica amparados pela leniência e/ou conivência daqueles que ocupam o poder, independentemente de sigla partidária ou corrente ideológica.
A atual crise política, que descamba para crise institucional, revela uma realidade indelével: a dicotomia instaurada entre prós e contras ao modelo de gestão petista pretende impor a exclusão de quaisquer correntes de pensamento destoante às duas seguramente majoritárias. Não se admite a existência de grupos com ideário fora dos padrões ungidos por petistas e antipetistas. É um erro, pois toda dicotomia limita o debate e, por conseguinte, a busca por soluções vislumbradas por correntes de pensamentos outros.
Daí porque, quando manifesto minha revolta com a roubalheira fruto do aparelhamento das instituições públicas em favor do projeto de perpetuação do poder petista, sou invariavelmente taxado de golpista, defensor da ditadura, elitista e outras coisas mais.
Da mesma forma, toda vez que manifesto minha opinião contrária ao impeachment da presidente Dilma recebo comentários - de amigos, inclusive - me chamando de ingênuo, apaixonado, e por aí vai...
O que seguidores dessas correntes majoritárias do pensamento ideológico brasileiro vigente não conseguiram ainda dar-se conta é que a cegueira de uns é a mesma de outros. Toda vez que se estigmatiza opiniões antagônicas, com adjetivos dispensáveis ou se tenta anular o argumento diferente à custa do patrulhamento ideológico raso, pautado na desqualificação do outro, tem-se um atentado contra o debate e, por conseguinte, atenta-se contra a democracia.
Fonte: Ricardo Marques
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