POR RICARDO MARQUES
Em São Luís, a prioridade absoluta virou prioridade nenhuma. A Justiça do Maranhão determinou que a Prefeitura de São Luís pague as entidades que mantêm abrigos para crianças e adolescentes na capital.
A Justiça manda pagar. O Ministério Público cobra. E a Prefeitura… explica. Explica que faltou carimbo, faltou trâmite, faltou papel.
Só não explica por que sempre sobra descaso quando o assunto é criança pobre.
Quase um milhão de reais atrasados. Abrigos sem comida, sem remédio, sem salário para quem cuida. Risco de despejo. Suspensão de transporte.
Mas calma: dizem que o problema é administrativo. Como se a fome aguardasse despacho. Como se a infância pudesse entrar na fila do protocolo.
O Estatuto da Criança e do Adolescente fala em prioridade absoluta. Aqui, parece prioridade condicional: se der, paga; se não der, empurra. Empurra para os “restos a pagar”. Empurra para o ano seguinte. Empurra para o colo de quem já foi abandonado uma vez.
A Justiça rejeitou a desculpa. Fez o óbvio: lembrou que burocracia não é álibi moral. Governar não é administrar planilhas; é assumir responsabilidade.
Quando o poder público atrasa, quem paga a conta não é o prefeito. É a criança.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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