POR RICARDO MARQUES
Enquanto o mundo discute guerras, eleições e crises aparentes, uma disputa silenciosa avança longe dos holofotes: o controle das terras raras, minerais essenciais para carros elétricos, turbinas eólicas, chips, satélites e armamentos de última geração. Não é exagero dizer que quem controla esses elementos controla o futuro.
A China já entendeu isso há décadas. Detém cerca de 44 milhões de toneladas em reservas e domina a cadeia de processamento global. O Brasil aparece logo atrás, com aproximadamente 21 milhões de toneladas, um patrimônio estratégico concentrado principalmente em Goiás, Amazonas e Ceará. Um verdadeiro tesouro. Mas aqui começa o problema.
Apesar dessa riqueza, o Brasil ainda age como coadjuvante: exporta matéria-prima bruta e importa tecnologia cara. Abre mão de valor, soberania e poder. Nesse cenário, é ingenuidade acreditar que potências como os Estados Unidos, que possuem reservas modestas e alta dependência tecnológica, não olhem para o nosso subsolo com interesse crescente — assim como já olharam para o petróleo venezuelano e até para a Groenlândia.
Não se trata de teoria conspiratória. Trata-se de geopolítica — como alertou o deputado Pedro Lucas Fernandes. Recursos estratégicos atraem influência, pressão econômica e, muitas vezes, interferência política. A pergunta que fica é incômoda, mas necessária: o Brasil está preparado para proteger e transformar essa riqueza em desenvolvimento real, ou continuará entregando seu futuro em caminhões de minério?
O século XXI não será decidido apenas por armas ou discursos, mas por quem controla energia, tecnologia e minerais críticos. O Brasil tem o mapa do tesouro nas mãos. Falta decidir se quer ser dono dele — ou apenas o vigia distraído.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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