POR RICARDO MARQUES
No Maranhão, a realidade conseguiu superar a ironia. Quatro desembargadores afastados há mais de 16 meses — investigados por suspeitas gravíssimas — receberam juntos R$ 627 mil em poucos meses. Traduzindo: sem bater ponto, sem despachar sentença, sem martelo… mas com o contracheque funcionando como um relógio suíço.
É o Brasil onde o trabalho é opcional, mas o salário é obrigatório.
Enquanto isso, no mesmo estado, milhares de pessoas vivem com renda mensal menor que uma conta de luz de classe média. A distância entre o cidadão comum e a elite estatal não é social — é quase astronômica.
Claro, tudo dentro da lei. Sempre “dentro da lei”. Porque no Brasil existe uma diferença filosófica profunda entre legalidade e moralidade. Legal pode. Moral… bem, moral é detalhe para quem paga imposto.
O mais impressionante não é o valor — é a anestesia coletiva. Virou rotina. A indignação nacional dura menos que um story de rede social.
No país da desigualdade crônica, criamos uma casta blindada, imune à crise, à vergonha e, às vezes, até ao bom senso — vide o caso Banco Master no STF. O Judiciário deveria ser o templo da confiança pública. Mas episódios assim transformam o templo num condomínio de privilégios.
E quando a Justiça perde o constrangimento… o cidadão perde a esperança.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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