POR RICARDO MARQUES
Quando o ministro Flávio Dino fala em reformar o Judiciário, ele não está mexendo em um prédio comum — está mexendo numa engrenagem sensível do poder.
E toda engrenagem de poder reage.
A proposta vem com um discurso sedutor: mais transparência, mais controle…, menos privilégios. Quem, em sã consciência, seria contra isso? O problema é que, no Brasil, até o óbvio vira campo de batalha.
E virou.
O embate com Edson Fachin não é apenas técnico. É político. É institucional. É, sobretudo, simbólico. Porque revela algo incômodo: nem dentro do Supremo há consenso sobre como — e até onde — o Judiciário deve ser reformado.
E aqui mora o ponto central.
Reformar o Judiciário é necessário. Mas há sempre uma linha tênue entre corrigir distorções e redesenhar o jogo de poder.
Quando a reforma começa a dividir a própria cúpula, o alerta acende.
Não porque o conflito seja ruim — ele é parte da democracia.
Mas porque, no Brasil, reformas muitas vezes não nascem para melhorar estruturas.
Nascem para reposicionar forças.
No fim, a pergunta que fica não é sobre a proposta em si.
É sobre a intenção por trás dela.
E há um ponto adicional que não pode ser ignorado: Dino poderia começar abstendo-se de atuar em processos que dizem respeito à política do Maranhão. Não que julgue mal. Mas o fato de, até outro dia, ter sido governador do Estado, lança uma sombra inevitável sobre sua atuação.
A dúvida já entrou na sala antes da sentença.
E, no Judiciário, a dúvida corrói.
Porque Justiça não basta ser imparcial.
Precisa parecer imparcial.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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