Ricardo Marques

Reforma ou disputa de poder?

Por: O comentário do dia de Ricardo Marques | Publicado: 23/04/2026 08:28 - 0 comentário


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POR RICARDO MARQUES 

Quando o ministro Flávio Dino fala em reformar o Judiciário, ele não está mexendo em um prédio comum — está mexendo numa engrenagem sensível do poder.

E toda engrenagem de poder reage.

A proposta vem com um discurso sedutor: mais transparência, mais controle…, menos privilégios. Quem, em sã consciência, seria contra isso? O problema é que, no Brasil, até o óbvio vira campo de batalha.

E virou.

O embate com Edson Fachin não é apenas técnico. É político. É institucional. É, sobretudo, simbólico. Porque revela algo incômodo: nem dentro do Supremo há consenso sobre como — e até onde — o Judiciário deve ser reformado.

E aqui mora o ponto central.

Reformar o Judiciário é necessário. Mas há sempre uma linha tênue entre corrigir distorções e redesenhar o jogo de poder.

Quando a reforma começa a dividir a própria cúpula, o alerta acende.

Não porque o conflito seja ruim — ele é parte da democracia.

Mas porque, no Brasil, reformas muitas vezes não nascem para melhorar estruturas.

Nascem para reposicionar forças.

No fim, a pergunta que fica não é sobre a proposta em si.

É sobre a intenção por trás dela.

E há um ponto adicional que não pode ser ignorado: Dino poderia começar abstendo-se de atuar em processos que dizem respeito à política do Maranhão. Não que julgue mal. Mas o fato de, até outro dia, ter sido governador do Estado, lança uma sombra inevitável sobre sua atuação.

A dúvida já entrou na sala antes da sentença.

E, no Judiciário, a dúvida corrói.

Porque Justiça não basta ser imparcial.

Precisa parecer imparcial.

Veja o comentário em vídeo (aqui)



Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques

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