POR RICARDO MARQUES
Na política brasileira, os fatos caminham — mas os bastidores correm.
Nos últimos dias, o que se viu foi um espetáculo curioso: a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal continua rendendo e deixou de ser apenas um episódio institucional para virar enredo de romance policial — daqueles em que ninguém é inocente e todos têm algo a esconder.
De um lado, surgem relatos de um suposto alinhamento improvável envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Do outro, o ministro André Mendonça aparece como contraponto. No meio do tabuleiro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, articulando como quem joga xadrez — ou pôquer.
E então surge o tempero que transforma suspeita em narrativa: o tal “caso Master”.
Fala-se. Insinua-se. Sugere-se.
Mas prova mesmo? Silêncio.
A jornalista Eliane Cantanhêde, em O Estado de S. Paulo, foi direta ao ponto: descreveu um possível “acórdão” com cheiro de troca — “você salva a minha pele e eu salvo a sua”.
É forte. É grave. E, se verdadeiro, é devastador.
Mas aqui entra o detalhe que separa análise de imprudência: no Brasil de hoje, a fronteira entre bastidor e ficção está perigosamente borrada. A política virou um território onde versões competem com fatos — e, muitas vezes, vencem.
O problema não é apenas o que pode ter acontecido.
O problema é que parece plausível.
E quando a sociedade começa a achar plausível que ministros da mais alta Corte, senadores e interesses cruzados estejam jogando um jogo subterrâneo… algo já deu muito errado.
Porque instituições não vivem só de decisões.
Vivem de confiança.
E confiança não se decreta — se constrói. E, sobretudo, se perde.
No fim das contas, talvez nem importe se houve conluio, pacto ou apenas coincidência estratégica.
O estrago maior já está feito:
O Brasil virou um país onde a dúvida grita — e a certeza… A certeza se esconde.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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