POR RICARDO MARQUES
No Maranhão, a política já não se resolve mais no voto, no debate ou no plenário. Agora, tudo vai parar no tribunal. A judicialização virou esporte olímpico de quem perdeu espaço no poder, mas ainda sonha em governar pelo tapetão.
O curioso — ou cômico — é ver certos personagens posando hoje de guardiões da responsabilidade fiscal. Os mesmos que, até outro dia, abancados no Palácio dos Leões, defendiam empréstimos, financiamentos, operações de crédito e toda sorte de engenharia financeira “em nome do desenvolvimento”.
Naquela época, dívida era investimento. Hoje, virou pecado mortal.
É o velho teatro da conveniência política: quando o governo era deles, empréstimo era progresso. Agora que estão na oposição, virou escândalo institucional. Não há preocupação genuína com o endividamento do Estado. Há tão somente preocupação em gerar desgaste político para o governo.
A judicialização virou instrumento de obstrução. Uma espécie de “terceiro turno” permanente, onde se tenta governar pela liminar aquilo que não se consegue conquistar na articulação política.
Na mitologia grega, havia Proteu, o deus que mudava de forma para escapar da verdade. Na política, alguns mudam de discurso com a mesma facilidade. Ontem defendiam. Hoje condenam. Amanhã, se voltarem ao poder, defenderão novamente — com a mesma convicção teatral.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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