POR RICARDO MARQUES
Há políticos que não citam a Bíblia — eles a sequestram. Transformam versículo em slogan, parábola em propaganda, e Deus em cabo eleitoral. São falsos profetas de microfone aberto, especialistas em multiplicar promessas e reduzir verdades.
O curioso é que a fé deles só aparece em época de eleição. Fora disso, o mandamento é outro: “farás o que for conveniente”. O sujeito rouba, mente, trai, negocia a própria mãe — mas sobe ao púlpito improvisado do comício com ares de Moisés descendo do Sinai. É a santidade por conveniência, a devoção com prazo de validade.
Já dizia Shakespeare: “O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém.” E pode mesmo. Porque citar não é viver. Repetir versículo não é ter caráter. Há quem carregue a Bíblia na mão e o cinismo na alma.
O problema não é o demagogo. Demagogos sempre existiram. O problema é o incauto que confunde eloquência com virtude, voz alta com verdade, e teatro com fé.
Desconfie sempre de quem fala demais em nome de Deus. Normalmente, está apenas falando em nome de si mesmo.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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