POR RICARDO MARQUES
A vida é uma gangorra.
Ora estamos por cima, ora por baixo.
Num sobe e desce que não pede licença, não avisa, não negocia.
E, ainda assim, há quem se comporte como se estivesse permanentemente no alto.
É curioso — e, ao mesmo tempo, profundamente revelador — como o ser humano, diante de algo tão efêmero, insiste em vestir a fantasia da superioridade.
Como se o momento fosse eterno.
Como se o topo fosse residência fixa, e não apenas uma passagem.
O ego, quando inflado, distorce a realidade.
Transforma circunstância em mérito absoluto.
Confunde fase com essência.
E faz do acaso um título de nobreza.
Mas a vida — essa velha professora sem paciência — cobra.
E cobra sem aviso prévio.
Hoje, aplausos.
Amanhã, silêncio.
Hoje, poder.
Amanhã, esquecimento.
E é nesse intervalo — entre o aplauso e o silêncio — que se revela o tamanho de cada um.
A vaidade é barulhenta, mas frágil.
Precisa ser alimentada o tempo todo.
Depende do olhar alheio, da aprovação constante, do reconhecimento que nunca é suficiente.
Já a grandeza… essa é silenciosa.
Não precisa provar nada.
Porque sabe que o topo não é morada — é trânsito.
Talvez o problema não seja subir.
O problema é esquecer que se vai descer.
E quem não entende isso, costuma cair não apenas de posição —
mas de si mesmo.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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