POR RICARDO MARQUES
A decisão do deputado federal Duarte Júnior de recusar o convite para ser candidato a vice-governador na chapa de Orleans Brandão é legítima. Cada político tem o direito de definir o caminho que considera mais adequado para sua carreira.
É verdade que Duarte agregaria à chapa governista, sobretudo por sua força eleitoral em São Luís, principal reduto de Eduardo Braide. Mas daí a imaginar que sua recusa represente um grande abalo no projeto de Orleans vai uma boa distância.
Primeiro, porque Duarte não era o único nome cogitado. Há outros quadros, tão bons quanto o dele, com condições de compor a chapa. Segundo, porque eleição para governador não se decide apenas na capital. Ela se ganha nos 217 municípios do Maranhão, com uma ampla rede de apoios políticos, prefeitos, vereadores e lideranças regionais — basta ver o histórico das eleições para o Palácio dos Leões.
Ao insistir na disputa pelo Senado, Duarte demonstra confiança. Mas também assume um enorme desafio. Uma eleição majoritária exige muito mais do que popularidade nas redes sociais ou desempenho concentrado em uma única região do estado.
Resta agora outra questão: se abriu mão de integrar o projeto político do governador Carlos Brandão, terá o deputado a coerência de devolver os espaços que o governo mantém à sua disposição? Afinal, foi justamente o Procon — hoje comandado por sua esposa — que serviu de principal plataforma para sua ascensão política.
Na política, coerência também conta. E muito.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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