POR RICARDO MARQUES
Existe uma ilusão cada vez mais comum: a de que aquilo que faz sucesso na internet domina o país inteiro.
Não domina.
A internet produz repercussão. A televisão aberta produz alcance de massa. São coisas diferentes.
Os levantamentos da Kantar Ibope Media sobre a primeira fase da Copa do Mundo ajudam a entender essa diferença. Eles mostram que Globo e SBT concentraram 88% da audiência da competição.
E o dado mais revelador é este: com metade dos jogos exibidos com exclusividade pela CazéTV — portanto, fora da Globo e do SBT —, a Copa alcançou 18,1 milhões de brasileiros a menos do que a edição de 2022.
Isso mostra que o Brasil das redes sociais é apenas uma parte do Brasil.
No Maranhão, acontece algo semelhante.
Quem vive mergulhado nas redes acaba imaginando que o assunto mais comentado no Instagram, no X ou no WhatsApp é também o assunto que domina as conversas em todo o estado.
Não é.
Há um Maranhão que continua acompanhando o noticiário pelo rádio e pela televisão aberta. Há milhares de eleitores que sequer participam do debate político nas redes sociais.
É por isso que, muitas vezes, candidatos considerados imbatíveis na internet decepcionam nas urnas. Outros, quase ignorados pelo mundo digital, surpreendem nas urnas.
A política não acontece apenas na timeline.
A internet é uma ferramenta extraordinária. Cresce a cada dia e influencia o debate público. Mas ainda há quem superestime sua audiência e subestime o alcance dos meios tradicionais.
Quem confunde engajamento com voto, ou repercussão com opinião pública, corre o risco de interpretar mal a realidade.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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