Ricardo Marques

A liberdade nunca foi um presente

Por: O comentário do dia de Ricardo Marques | Publicado: 04/07/2026 13:16 - 0 comentário


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POR RICARDO MARQUES 

Há exatos 250 anos, um grupo de homens decidiu enfrentar o maior império da época. Não tinham a maior riqueza, nem o maior exército. Tinham uma ideia.

E, na história da humanidade, ideias costumam derrotar canhões.

A Declaração de Independência dos Estados Unidos não foi apenas a certidão de nascimento de um país. Foi uma declaração de desconfiança em relação ao poder. Afinal, quem escreve uma Constituição não está dizendo apenas como um governo deve funcionar. Está dizendo, sobretudo, até onde ele pode ir.

Thomas Jefferson e tantos outros compreenderam uma verdade que continua atual: nenhum governante é suficientemente virtuoso para exercer um poder sem limites. Nenhuma autoridade deve estar acima da lei. Nenhuma crença pode ser imposta pela força do Estado. A liberdade religiosa só existe quando o governo não escolhe uma religião oficial. A liberdade política só sobrevive quando o cidadão pode discordar sem medo.

Parece óbvio. Mas não é.

A cada geração surgem novos salvadores da pátria, novos messias políticos, novos líderes convencidos de que o país depende apenas da própria vontade. Mudam os discursos, mudam as bandeiras, mudam as ideologias. A tentação permanece a mesma: concentrar poder em nome de uma suposta causa superior.

É justamente aí que as democracias começam a adoecer.

Os povos não perdem a liberdade de uma única vez. Ela vai embora aos poucos, sempre embalada por boas intenções, por promessas sedutoras e pela velha conversa de que determinados direitos podem esperar, porque existe um bem maior a ser protegido.

A história ensina exatamente o contrário. O bem maior é a própria liberdade. Quando ela desaparece, cedo ou tarde desaparecem também a justiça, a prosperidade e a dignidade humana.

Duzentos e cinquenta anos depois, a maior lição de 1776 continua sendo um alerta para qualquer nação: o poder precisa de limites, porque homens são falíveis. E uma sociedade verdadeiramente livre não é aquela que encontra governantes perfeitos. É aquela que constrói instituições fortes o suficiente para impedir que qualquer governante se julgue perfeito.

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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques

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