POR RICARDO MARQUES
Os Rolling Stones lançaram ontem Foreign Tongues. E, entre as faixas do novo disco, uma me chamou a atenção de forma especial.
É a releitura de You Know I’m No Good, de Amy Winehouse.
Não é apenas um cover.
É um diálogo entre duas gerações.
Amy gravou essa música aos 23 anos. Cantava os excessos, as contradições e a autodestruição de quem parecia viver depressa demais. Sua voz carregava a urgência de quem não imaginava que o tempo seria tão curto.
Agora, a mesma canção surge na voz de Mick Jagger, aos 82 anos.
E tudo muda.
A letra é a mesma. Mas a interpretação ganha o peso de quem atravessou seis décadas de estrada, sobreviveu aos excessos do rock, às perdas, às modas e ao próprio tempo.
As grandes canções têm esse poder. Não envelhecem. Apenas revelam novos significados quando encontram outras vozes.
Os Stones poderiam viver apenas do próprio passado. Ninguém lhes cobraria mais nada.
Mas continuam gravando, experimentando e conversando com artistas de outras gerações.
Talvez essa seja a verdadeira juventude.
Não a do calendário, mas a da curiosidade.
No fim das contas, o tempo não envelheceu Mick Jagger.
Apenas lhe deu uma nova maneira de cantar a mesma verdade.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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