POR RICARDO MARQUES
Sempre que surge um escândalo grave, aparece alguém dizendo que o verdadeiro problema é… quem resolveu falar sobre ele. É uma inversão moral impressionante. Quando crianças morrem, a prioridade deveria ser descobrir por quê.
Mas, para alguns, a prioridade parece ser defender biografias, proteger projetos eleitorais e atacar quem faz perguntas. É como se a indignação fosse o problema. Não a tragédia.
O Ministério Público está investigando. O Ministério da Saúde enviou técnicos ao hospital. Profissionais de saúde fizeram denúncias.
Esses fatos existem. Não foram criados por perfis na internet. Nem por adversários políticos. Muito menos por jornalistas.
Podemos discordar sobre eleições. Podemos defender candidatos diferentes. Isso faz parte da democracia.
O que não faz parte de uma sociedade minimamente decente é transformar a morte de crianças em disputa de torcida organizada.
Enquanto alguns discutem narrativas, existem famílias tentando entender por que seus filhos morreram. Enquanto alguns protegem imagens, outras pessoas esperam respostas.
E isso revela algo preocupante. Quando a lealdade a um político vale mais do que a compaixão por uma criança, alguma coisa se perdeu no caminho.
Porque governos passam. Mandatos terminam. Campanhas acabam. Mas uma família que perde um filho carrega essa ausência para sempre.
A política pode esperar. A verdade, não.
A única pergunta que realmente importa continua sendo a mesma: O que aconteceu no Hospital da Criança?
Todo o resto é distração. E nenhuma cortina de fumaça consegue esconder a dor de quem perdeu um filho.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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