POR RICARDO MARQUES
A política ensina lições que o tempo não consegue desmentir. E uma delas é muito simples: general sem tropas não vence batalha.
As convenções partidárias não servem apenas para homologar candidaturas. Elas existem para mostrar quem tem exército.
E, na política, as tropas são prefeitos, vereadores, deputados, candidatos proporcionais, lideranças comunitárias e militantes. São eles que levam a campanha aos lugares onde o candidato não consegue chegar.
No Maranhão, essa realidade é ainda mais evidente. São 217 municípios espalhados por um território onde caberiam cerca de quinze Sergipes. Governar esse estado exige presença. Disputá-lo exige organização.
Foi essa a principal mensagem transmitida ontem pela convenção que oficializou a candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Estado pelo MDB. Mais do que discursos, o evento procurou demonstrar força política, unidade e capacidade de mobilização.
Entre as imagens da convenção, uma merece atenção especial: a presença de Weverton Rocha na composição do grupo governista. Não apenas por disputar a reeleição ao Senado, mas porque representa uma ponte importante entre essa aliança estadual e o projeto nacional do presidente Lula. Na política, sinais assim raramente são emitidos por acaso.
E há outro detalhe que a história recomenda não ignorar.
Na história política do Maranhão, o Palácio dos Leões nunca foi apenas um endereço. Sempre foi um ativo eleitoral de enorme peso. Ao longo das últimas décadas, os candidatos apoiados pelo governo estadual demonstraram extraordinária capacidade de organização e competitividade. A exceção mais lembrada, 2014, ocorreu em circunstâncias muito particulares, quando a sucessão governista mudou de rumo às vésperas da convenção, alterando completamente o cenário da disputa.
Isso significa que a eleição está decidida?
Claro que não.
Convenção não elege ninguém. Pesquisa não elege ninguém. Quem elege é o eleitor.
Mas ignorar a força de um exército político talvez seja o primeiro erro de quem pretende compreender a sucessão maranhense.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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