POR RICARDO MARQUES
Costumo dizer que decisão de juiz, opinião de jornalista e pesquisa eleitoral, quando desfavorável, ninguém gosta.
E isso não é exatamente uma novidade.
O que chama atenção hoje é outra coisa: a crescente dificuldade que os institutos de pesquisa têm para convencer a sociedade de que seus números merecem confiança.
A suspensão de mais uma pesquisa eleitoral no Maranhão reacende um debate que vai muito além dos interesses de candidatos e partidos. O que está em jogo não é apenas um levantamento específico. É a credibilidade de instrumentos que deveriam ajudar a informar o eleitor.
Vivemos um tempo em que as pesquisas são celebradas quando confirmam expectativas e atacadas quando mostram um resultado indesejado. Mas também é verdade que os próprios institutos contribuíram para esse ambiente de desconfiança. Erros relevantes, divergências expressivas entre levantamentos e questionamentos judiciais passaram a fazer parte da rotina eleitoral brasileira.
Quando uma pesquisa é contestada na Justiça, o prejuízo não atinge apenas quem a contratou ou quem aparece bem ou mal posicionado nela. O dano maior recai sobre a confiança pública.
Pesquisas eleitorais são importantes. Ajudam a identificar tendências, avaliar cenários e compreender o humor do eleitorado. Mas sua utilidade depende de um requisito básico: credibilidade.
Por isso, mais do que divulgar números, os institutos precisam demonstrar transparência, rigor metodológico e absoluto respeito às regras eleitorais.
Porque uma democracia saudável precisa de pesquisas confiáveis.
E pesquisas confiáveis dependem, acima de tudo, da confiança de quem as lê.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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