POR RICARDO MARQUES
O Brasil descobriu uma nova modalidade de advocacia: aquela em que o cliente, além de contratar o escritório, parece contratar também a tranquilidade.
Alexandre de Moraes acessou e alterou a minuta do contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de sua esposa.
Talvez tenha sido apenas uma colaboração doméstica.
Há quem ajude a lavar a louça.
Há quem revise contratos de milhões.
Mas agora aparecem 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um contato atribuído ao ministro.
O banqueiro queria saber se ainda dava para “segurar” a Polícia Federal, procurava ajuda junto à Procuradoria-Geral da República e, dois dias antes de ser preso, perguntou se deveria estar fora do país.
Uma dúvida quase turística: Malta ou Papuda?
Ainda não sabemos se Moraes recebeu todas as mensagens nem o que respondeu.
Mas impressiona a intimidade de Vorcaro. Ele não parecia procurar um ministro do Supremo. Parecia chamar o serviço de atendimento ao cliente.
E quando atrasaram o pagamento ao escritório da esposa de Moraes, veio o aviso: “O careca não pode atrasar”.
Vorcaro respondeu: "Vamos ter problemas”.
Que contrato curioso!
Quando o cliente deixa de pagar, é o próprio cliente quem fica preocupado.
Agora, a Procuradoria-Geral da República quer anular o relatório e encerrar a apuração.
Pode até haver nulidade processual.
Mas nulidade não é borracha mágica.
Pode anular o relatório; não pode desler as mensagens, desfazer o contrato nem devolver às instituições a credibilidade perdida.
Moraes tem direito à defesa.
Ah, sim, claro que tem!
Mas o Supremo também tem direito de não afundar abraçado a um de seus ministros.
Por isso, seu afastamento tornou-se necessário.
Até para o bem do que ainda resta de credibilidade na imagem do Supremo.
Se é que ainda resta alguma.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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