POR RICARDO MARQUES
Há lugares onde uma ponte liga duas margens.
No Maranhão, a ponte do Estreito dos Mosquitos liga uma ilha inteira ao resto do Brasil.
É por ali que entra boa parte do que abastece a Grande Ilha.
É por ali que passam passageiros, caminhões, mercadorias...
É por ali também que se chega, por terra, ao complexo portuário de São Luís.
Ou seja: não estamos falando de uma pontezinha perdida no mapa.
Estamos falando da única ligação rodoviária da Ilha de Upaon-Açu com o continente.
Pois agora, finalmente, o governo federal anunciou: a reconstrução da velha ponte começa no dia 10 de setembro. Serão cerca de R$ 177 milhões, com entrega prevista para 2027.
Ótimo.
Mas uma pergunta não quer calar: por que demorou tanto?
No começo do governo Lula, o Maranhão chegou a ostentar uma bancada de ministros em Brasília.
Era ministro maranhense para todo lado.
E o discurso era triunfal: agora, sim, chegou a vez do Maranhão!
Chegou?
Porque a principal porta terrestre da capital continuou esperando.
Uma estrutura vital para mais de um milhão de pessoas, para o abastecimento da Grande Ilha e para parte importante da economia maranhense precisou chegar a um estado de corrosão, fissuras e perda de rigidez para, enfim, ganhar uma solução definitiva.
Agora a obra vai sair.
Antes tarde do que nunca.
Mas talvez essa ponte seja também um monumento involuntário à nossa irrelevância em Brasília: tivemos ministros, discursos, prestígio anunciado e fotografias no poder.
Só faltou cuidar da ponte.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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