POR RICARDO MARQUES
Flávio Dino não gosta das câmeras no Supremo.
Disse que é uma posição antiga: é contra a transmissão ao vivo das sessões do STF.
Curioso.
O homem que passou boa parte da vida política filiado ao Partido Comunista agora parece descobrir que, no STF, certas coisas ficam mais confortáveis quando o público não está olhando.
É claro que existem argumentos respeitáveis contra a transmissão dos julgamentos. Há quem diga que as câmeras estimulam discursos intermináveis, vaidades e ministros transformados em celebridades.
É… Pode ser.
Mas existe um pequeno inconveniente chamado transparência.
A câmera pode estimular o teatro.
Mas também registra o espetáculo.
Mostra o voto, o gesto, a contradição, o destempero e aquilo que, sem ela, chegaria ao cidadão apenas pela versão oficial.
E talvez seja exatamente por isso que incomode tanto.
No Maranhão, os anos de Dino no poder também foram marcados por duros embates com adversários. Jornalistas foram perseguidos. Seu governo chegou a promover a intervenção da empresa privada Servi-Porto — episódio que provocou intensa controvérsia política e jurídica.
Agora, no Supremo, Dino prefere menos câmeras.
Nelson Rodrigues talvez dissesse que toda autoridade sonha, secretamente, com uma plateia obediente.
Eu acrescentaria: algumas preferem nem ter plateia.
Porque democracia com câmera pode ser incômoda.
Sem câmera, porém, fica muito mais fácil escolher o que o público poderá enxergar.
É mais fácil impor narrativas.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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