POR RICARDO MARQUES
Há uma figura curiosa na política brasileira: o veterano que, depois de décadas de mandato, acorda, olha no espelho e se declara “outsider”.
É quase uma reencarnação cívica — sem precisar morrer antes.
Chamam isso de “nova política”. Mas, convenhamos: de novo, só o discurso. O resto já vem com o manual amarelado.
Essa divisão entre “nova” e “velha” política é uma fábula conveniente. Política sempre envolveu negociação, conflito, composição e interesses. O resto é marketing.
O sujeito passa vinte ou trinta anos orbitando o poder e, na eleição seguinte, aparece puro, imaculado, quase virginal — como um político sem biografia.
É uma embalagem nova para um produto antigo. E nem sempre bem conservado.
O truque é vender novidade para quem esqueceu — ou nunca soube — de onde veio o candidato.
Mas o eleitor atento não compra tão facilmente.
Porque não existe “nova política” sem memória.
O que existe é a velha tentativa de engabelar — com maquiagem nova.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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